segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Para ser Budista


   "Ninguém precisa abandonar a sua vida, raspar a cabeça, vestir um manto amarelo e sair por aí recitando sutras. Não é preciso abandonar a família, parar de trabalhar ou ir para uma cabana na selva ou na montanha. É preciso apenas perceber que as coisas são passageiras e que tudo o que se pode obter nesta vida também se pode perder. 
Não se pode agarrar nas coisas ou nas pessoas, pois elas são impermanentes, e o apego a elas é uma fonte constante de dor.
  Siddharta Gautama, o Buda histórico, não pediu a ninguém que acreditasse no que ele dizia, apenas que meditasse e visse com os olhos da mente pura o desenrolar  da vida. Seus ensinamentos são simples, diretos e vão ao âmago da condição humana. Talvez por isto sejam tão difíceis de serem praticadas."


Texto do livro: Buda O Mito e a Realidade
Autor: Heródoto Barbeiro
  Imagem: http://www.dharmanet.com.br/multimidia/estatuas.php

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

FUKANZAZENGI; Regras Universais do Zazen

Regras universais do Zazen



(FUKANZAZENGI)


(Manual de meditação do mestre Eihei Dogen - Japão, 1200 - 1253 dC)

Agora, quando procuramos a fonte do Caminho, descobrimos que é universal e absoluta. Torna-se desnecessário distinguir entre prática e iluminação. O ensinamento supremo é livre, então por que deveríamos estudar os meios de atingi-lo? Sem dúvida, o Caminho está bem longe da delusão. Por que, então, preocupar-se com os meios de eliminá-la?
O Caminho está completamente presente onde você está, então qual a necessidade de prática e de iluminação? Contudo, se no início houver a menor diferença entre você e o Caminho, o resultado será uma separação maior do que aquela entre o céu e a terra.
Se surgir o menor pensamento dualista, você perderá sua mente-Buda. Por exemplo, algumas pessoas se orgulham de sua compreensão, e acreditam que estão ricamente dotadas com a sabedoria de Buda. Crêem que já alcançaram o Caminho, iluminaram suas mentes e conquistaram o poder de tocar os céus. Imaginam que estão andando no reino da iluminação. Mas o fato é que quase perderam o Caminho absoluto, que está além da própria iluminação.
Ainda se vêem as marcas daquele que por seis anos sentou-se erecto e se ouvem os ecos do Monte Shaolim onde por nove anos sentou-se de face para a parede aquele que transmitiu o selo da mente. Já que estes antigos sábios eram tão diligentes, como podem os praticantes dos dias atuais deixar de praticar zazen? Devemos parar de correr atrás de palavras e de letras e aprendermos a nos retirar e refletir sobre nós mesmos. Quando assim fazemos, nosso corpo e mente são naturalmente transcendidos, e nossa natureza-Buda original se manifesta. Se almejarmos realizar a sabedoria de Buda, devemos começar a praticar imediatamente.
Para fazer zazen, é desejável um local tranqüilo. Devemos ser moderados no comer e no beber, abandonando todo relacionamento deludido. Deixando tudo de lado, não pensemos nem no bem, nem no mal, nem no certo, nem no errado. Assim, tendo cessado a agitação da mente, abandonamos até mesmo a idéia de nos tornar Buda. Isto é verdadeiro não só para o zazen, mas para todas as nossas ações cotidianas, sem apego ao sentar ou ao deitar.
Geralmente, colocamos um acolchoado quadrado no chão, onde vamos sentar, e sobre ele uma almofada redonda. Podemos sentar na posição de lótus ou na de meio lótus. Na primeira, colocamos o pé direito sobre a coxa esquerda, e em seguida o pé esquerdo sobre a coxa direita. Na segunda, apenas colocamos o pé esquerdo sobre a coxa direita. As roupas devem ser folgadas, mas bem arrumadas. Em seguida, colocamos o dorso da mão direita sobre o pé esquerdo e o dorso da mão esquerda sobre a palma direita, com as pontas dos polegares se tocando levemente. Devemos nos sentar perfeitamente eretos, nem inclinados à direita, nem à esquerda, nem para frente, nem para trás. As orelhas devem estar alinhadas com os ombros e o nariz alinhado com o umbigo. A ponta da língua deve ser colocada no palato, os lábios e dentes devem ficar fechados. Mantendo os olhos entreabertos, respiramos suavemente pelas narinas. Finalmente, tendo regulado o corpo e a mente fazemos uma respiração profunda, movendo nosso corpo para a esquerda e para a direita e então, devemos ficar imóveis, sentados tão firmes quanto uma rocha. Existe o pensar, existe o não pensar e existe o inconcebível. Esta é a verdadeira base do zazen.
Zazen não é meditação passo a passo. É o portal do Darma da agradável tranqüilidade, é a prática e a realização da Iluminação, é tornar-se o "koan". A verdade aparece, não mais havendo delusão. Se compreendermos isto, estaremos completamente livres, como um dragão na água, ou um tigre recostado na montanha. O Darma Correto surge naturalmente e ficamos completamente livres de todo cansaço e confusão.
Ao terminarmos o zazen, devemos mover o corpo devagar e nos levantar com calma. Não devemos nos mover bruscamente.
Pela virtude do zazen, é possível transcender a diferença entre o comum e o sagrado e obter a capacidade de morrer sentado ou de pé. Além do mais, é impossível para nossa mente discriminatória compreender como os Budas e Ancestrais do Darma comunicaram a essência do Zen a seus discípulos, com o levantar de um dedo, com uma vara, jogando uma agulha ou batendo com o martelo de madeira; ou como eles transmitiram a iluminação com o levantar de um hossu, de um punho, de um bastão ou com um grito.
Tampouco, este assunto pode ser compreendido através de poderes sobrenaturais ou de uma visão dualista de prática e iluminação. Zazen é a prática além dos mundos subjetivos e objetivos, além do pensamento discriminatório. Assim, nenhuma discriminação deverá ser feita entre o inteligente e o não-inteligente. Praticar o Caminho com todo o respeito é, em si mesmo, iluminação. Não existe separação entre a prática e a iluminação, ou entre o zazen e a vida cotidiana.
Os Budas e Ancestrais do Darma, tanto neste país, quanto na Índia e na China, todos preservaram cuidadosamente a mente-Buda e incentivaram assiduamente o treinamento Zen. Devemos, pois, nos dedicar exclusivamente, e sermos completamente absorvidos pela prática do zazen. Apesar da divulgação de inúmeras maneiras de se compreender o Budismo, devemos praticar somente o zazen. Não há motivo para abandonarmos nosso assento de meditação e fazermos viagens inúteis a outros países. Se nosso primeiro passo for errado, inevitavelmente tropeçaremos.
Já tivemos a boa fortuna de nascer com um corpo precioso, então, não devemos desperdiçar nosso tempo à toa. Agora que sabemos qual é a coisa mais importante no Budismo, como podemos ficar satisfeitos com o mundo transitório? Nossos corpos são como o orvalho sobre a relva, e nossas vidas como o clarão de um raio, que desaparece num instante.
Sinceros praticantes Zen, não se espantem com o Verdadeiro Dragão, nem gastem muito tempo inutilmente apalpando apenas uma pequena parte do elefante. Dediquem seus esforços ao caminho que leva diretamente à natureza-Buda. Respeitem aqueles que alcançaram o conhecimento completo, que estão sem intenção de intenção.
Tornem-se um com a sabedoria dos Budas e assim, sucessores legítimos da iluminação dos Ancestrais. Praticando desta maneira, certamente serão capazes de compreender tudo isto. Então, a casa do tesouro naturalmente se abrirá e vocês poderão se servir à vontade.

Tradução: Monja Coen, www.monjacoen.com.br

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Bodhidharma e o imperador

    
Assim que Bodhidharma* introduziu o Zen na China, ele foi levado à presença do imperador Wu, um devoto do Budismo, que estava interessado em discutir os princípios do Zen.
   "Nós construímos templos, copiamos os sutras sagrados, ordenamos monges e monjas. Qual o mérito pela nossa conduta?", perguntou o imperador.
   "Nenhum mérito", disse o mestre.
    O imperador chocado e ofendido, pensou que tal resposta estava subvertendo todo o dogma budista.
    "Então qual é o Santo Dharma?**
    "Um vasto vazio, sem nada dentro dele", afirmou Bodhidharma, para surpresa do imperador. Este ficou furioso e levantou-se para fazer uma última pergunta.
    "Quem és, então para ficares diante de mim como se fosse um sábio?"
    "Eu não sei majestade", respondeu o mestre.



   *Bodhidharma: vigésimo oitavo discípulo de Buda, ele introduziu o Zen na China no século V.
   **Santo Dharma é o Primeiro Princípio do Budismo.

 Texto do livro: Pocket Zen de Bruno Pacheco

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

OS TRÊS SELOS

1. DUKKHA
A vida é insatisfatória. O prazer no mundo físico é passageiro. Disso inevitavelmente vem a dor. Portanto, nada que possamos experimentar é totalmente satisfatório. Não há local de descanso em meio à mudança constante.

2. ANICCA
Nada é permanente. Toda experiência é varrida pelo fluxo das coisas. O ciclo da causa e efeito é infinito e confuso. Portanto, não é possível alcançar clareza ou a permanência.

3. ANATTA
O eu separado e distinto é inconsistente e, em última análise, irreal. Usamos palavras como alma e personalidade para designar algo que é transitório e efêmero. Nossas tentativas de chegar ao eu real nunca chegam ao fim, mas também nunca dão certo. Portanto, em busca de segurança, apegamo-nos a uma ilusão.



Texto do livro, Buda A história de um iluminado
Autor: Deepak Chopra

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Templo Taikanji convida

O Templo Taikanji convida todos para participar dos nossos próximos encontros:

Mini Sesshin

de 12 a 13 de fevereiro de 2011

Em homenagem à data do Parinirvana de Buda Shakyamuni convidamos todos a participar conosco de um fim de semana com práticas de Zazen (meditação Zen), Kinhin (meditação andando) e Samu (trabalho comunitário) no Templo Taikanji.

Período: de sábado (12/02) a partir das 10h a domingo (13/02) às 17h.

O que levar: roupas de cama, calçado para usar dentro da casa comunitária, lanterna, guarda-chuva e roupas confortáveis.

Doação sugerida: R$50,00 por dia (refeições e acomodação inclusas).

Para mais informações e dados para depósito, entre em contato respondendo este e-mail ou pelos telefones (11) 9555-2378 e (11) 2473-0912.

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Zen e Yoga Retiro de Carnaval

de 05 a 08 de março de 2011

Com início no dia 05/02 (sexta) às 10h00, teremos práticas de Zazen (meditação Zen), Kinhin (meditação andando), Samu (trabalho comunitário) e Yoga (asanas e pranayamas), acompanhados de alimentação vegetariana balanceada, no belo Taikanji, Templo Zen Budista da Grande Compaixão, um santuário situado em meio à Serra da Mantiqueira, em Pedra Bela, SP. Confira também a Agenda no portal www.zengarden.com.br.


Programação diária:

Zazen, 5 períodos de 30 min.

Yoga, 2 práticas de 1h15

Samu, 2 práticas de 45 min.

Budismo, 1 palestra

Inscrições mediante depósito

O valor para os quatro dias, que inclui a estadia e todas as refeições, é de R$370,00.

O valor com desconto para inscrições realizadas até o dia 15/02/2011 (terça-feira) é de R$345,00.

Para mais informações e dados para depósito, entre em contato respondendo este e-mail ou pelos telefones (11) 9555-2378 e (11) 2473-0912.

Hatha Yoga
Samu
Alimentação
Templo