domingo, 6 de setembro de 2009

Malunkyaputra


A profunda sabedoria do Buda atraiu muitos intelectuais. Malunkyaputra foi um deles. Porém, a sua frustração crescia à medida que o Buda se negava a encarar algumas questões metafísicas essenciais. Até que, exasperado, foi ter com o Buda e confrontou-o com a seguinte lista de perguntas:

"Bem-Aventurado, há teorias que não explicastes, que ignorastes e para as quais não forneceste nenhuma resposta. Se o mundo é eterno ou não é eterno, se ele é finito ou é infinito; se a alma e o corpo são idênticos ou diferenciados, se alguém que atingiu o nirvana continua a existir após a morte ou não, ou se continua a existir e a não existir, ou se nem existe nem deixa de existir. O facto de o Bem-Aventurado não ter esclarecido estas questões, não me satisfaz nem me serve. Se o Bem-Aventurado não me as esclarecer, abandonarei as disciplinas espirituais e regressarei à vida laica."

"Malunkyaputra", respondeu serenamente o Buda," quando abraçastes a vida espiritual alguma vez te prometi responder a essas perguntas?". "Malunkyaputra já estava provavelmente arrependido daquele seu rompante, mas era demasiado tarde. "Não, Bem-Aventurado, nunca prometestes."
"Porque pensas que não o fiz?"
" Não faço ideia, Bem-Aventurado."
"Supõe, Malunkyaputra, que um homem foi ferido por uma seta envenenada e que os seus amigos e a sua família vão chamar um médico. 'Esperem!', diz ele, 'Não permitirei que me removam a seta até que saiba a que casta pertence o homem que me feriu. Tenho de saber que altura ele tem, de que família provém, onde é que vive, de que madeira é feito o seu arco, quem foi o frecheiro que fez as suas setas. Quando souber tudo isto, podereis remover a seta e dar-me um antídoto contra o seu veneno' O que pensarias de tal homem?" "Seria um louco, Bem-Aventurado", respondeu Malunkyaputra, com uma expressão de embaraço. "As perguntas dele nada têm a ver com a remoção da seta, e ele morreria antes que lhas respondessem." "De igual modo, Malunkyaputra, eu não ensino se o mundo é eterno ou não é eterno, se ele é finito ou é infinito, se a alma e o corpo são idênticos ou diferenciados, se alguém que atingiu o nirvana continua a existir após a morte ou não, ou se continua a existir e a não existir, ou se nem existe nem deixa de existir. Eu ensino como remover a seta: a verdade do sofrimento, a sua origem, o seu fim, e o Nobre Óctuplo Caminho"

In The Dhammapada, translated with a general introduction by Eknath Eashwaran, Tomales California: Nilgiri Press, 1985, p. 39-41.

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