sábado, 19 de dezembro de 2015

Cadáver Sobre Cadáver

Morre quem mereceu
E quem não merecia
Morre quem viveu bem
E quem mal sobrevivia
Morre o homem sadio
E o que fumava e bebia
Morre o crente e o ateu
Um do outro companhia

Morre quem mereceu
E quem não merecia
Morre quem viveu bem
E quem mal sobrevivia
Morre o homem sadio
E o que fumava e bebia
Morre o crente e o ateu
Um do outro companhia

Cadáver sobre cadáver
Cadáver sobre cadáver
Quem vive sobrevive
Quem vive sobrevive
Quem vive sobre

Cadáver sobre cadáver
Cadáver sobre cadáver
Quem vive sobrevive
Quem vive sobrevive
Quem vive sobre

No meio do tiroteio
No seio da calmaria
Morrem na guerra ou na paz
De fome ou de anorexia
Morrem os outros ou os seus
A foice não se sacia
Morre o homem, morre Deus
O luto não alivia

No meio do tiroteio
No seio da calmaria
Morrem na guerra ou na paz
De fome ou de anorexia
Morrem os outros ou os seus
A foice não se sacia
Morre o homem, morre Deus
O luto não alivia

Cadáver sobre cadáver
Cadáver sobre cadáver
Quem vive sobrevive
Quem vive sobrevive
Quem vive sobre

Cadáver sobre cadáver
Cadáver sobre cadáver
Quem vive sobrevive
Quem vive sobrevive
Quem vive sobre

Morre quem mereceu
E quem não merecia
Morre quem viveu bem
E quem mal sobrevivia
Morre o homem sadio
E o que fumava e bebia
Morre o crente e o ateu
Um do outro companhia

No meio do tiroteio
No seio da calmaria
Morrem na guerra ou na paz
De fome ou de anorexia
Morrem os outros ou os seus
A foice não se sacia
Morre o homem, morre Deus
O luto não alivia

Cadáver sobre cadáver
Cadáver sobre cadáver
Quem vive sobrevive
Quem vive sobrevive
Quem vive sobre

Cadáver sobre cadáver
Cadáver sobre cadáver
Quem vive sobrevive
Quem vive sobrevive
Quem vive sobre

Compositor: (Paulo Miklos / Arnaldo Antunes)


Link: http://www.vagalume.com.br/titas/cadaver-sobre-cadaver.html#ixzz3un3SW6LJ

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Carta a um discípulo prestes a morrer




Carta a um discípulo prestes a morrer

A essência da tua mente não nasceu, por isso nunca morrerá. Não é uma existência, o que é destrutível. Não é um nada, que é o mero vácuo. Não tem cor nem forma. Não sente prazer nem sofre dores.
Sei que estás doente. Como um bom estudante Zen, enfrentas essa doença com aprumo. Podes não saber quem exactamente está a sofrer, mas pergunta-te a ti mesmo: Qual é a essência desta mente? Pensa unicamente nisto. Não necessitas de mais nada. Não ambiciones nada. O teu fim que não tem fim é como um floco de neve a dissolver-se no ar puro.

Bassui


De "Zen Bones, Zen Flesh: A Collection of Zen and Pre-Zen Writings"

Traduções portuguesas de Margarida Cardoso