sábado, 25 de fevereiro de 2012

O QUE É UM RETIRO ZEN DE SILÊNCIO?

  


   Para muitas pessoas que não estão familiarizadas com retiros de silêncio, a primeira impressão pode não ser das mais agradáveis.
   Primeiro que um retiro espiritual não é necessariamente um descanso para o corpo ou mesmo para a mente. Para o Zen a mente deve sempre estar atenta ao momento presente, não importando o que você esteja fazendo, uma oração, lavando uma louça ou varrendo o chão; o importante é não divagar em pensamentos perdendo-se do presente, e isto requer um grandioso esforço pois nossa mente tem a tendência de estar sempre fugindo da realidade.
   A segunda questão é que o silêncio nos obriga a ficarmos atentos as necessidades dos outros e não apenas cuidar do meu "euzinho". O comunitário é mais importante, o servir é mais importante que ser servido e faz parte da prática zen o servir e isto também cansa para quem não está acostumado.
  Terceiro que o Zazen também não é uma tarefa fácil, principalmente  para iniciantes; o corpo fica dolorido e a mente cansada.
   Para que tudo isto?
   A felicidade de ajudar todos os seres com sua prática.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Realização

 


    Um grande mestre do século passado tinha um discípulo que era muito obtuso. O mestre ensinou-lhe as mesmas coisas muitas e muitas vezes, tentando introduzi-lo à natureza da sua mente, mas foi inútil. A final o mestre ficou sem opções e lhe disse: "Olhe, quero que leve este saco de cevada até o alto daquela montanha ali. Mas você não deve parar para descansar. Continue simplesmente subindo até chegar ao alto".  
    O discípulo era um homem simples, mas possuía uma inabalável devoção e confiança em seu mestre, de modo que fez exatamente o que lhe foi recomendado. O saco era pesado; pegando-o partiu montanha acima, não ousando parar. Simplesmente seguiu e seguiu. O saco foi ficando cada vez mais pesado. Demorou um tempão. Por fim, ao chegar ao alto da montanha ele jogou o saco no chão. Atirou-se no chão dominado pela exaustão mas profundamente relaxado. Sentia a brisa fresca da montanha em seu rosto. Toda sua resistência se dissolvera, e com ela sua mente ordinária. Tudo parecia ter parado. Naquele exato instante ele de súbito obteve a realização da natureza de sua mente. "Ah era isto que meu mestre esteve mostrando todo o tempo", pensou. Desceu correndo a montanha e contrariando todas as convenções , invadiu o quarto do mestre.

   - "Acho que agora pesquei....Pesquei mesmo!"
   Seu mestre lhe sorriu como quem sabe das coisas: "Então a subida da montanha foi interessante, não foi?"  

Texto retirado do livro: O Livro Tibetano Do Viver E Do Morrer, Sogyal Rinpoche
Imagem: http://joseluisavilaherrera.blogspot.com/

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Vela apagada, ilumina

 


 
   Tokusan estudava Zen com o mestre Ryutan. Uma noite de inverno, Tokusan procurou Ryutan em seu quarto para lhe fazer um monte de perguntas sobre o sentido do Zen e da meditação. Ryutan ouviu e respondeu pacientemente todas as perguntas do jovem estudante, até que o mestre mandou o discípulo embora, dizendo que já era muito tarde.
"Já é tarde da noite, por que você não se retira?", perguntou Ryutan educadamente.
   Tokusan fez reverência e, ao abrir a porta, percebeu que já era alta noite e estava muito escuro lá fora Ryutan entregou uma vela para que o estudante pudesse encontrar o caminho de volta para o dormitório dos monges.
   Assim que recebeu a vela das mãos do mestre, Ryutan assoprou-a, deixando os dois na mais perfeita escuridão.
   Nesse exato momento, Tokusan atingiu a iluminação.



Texto retirado do livro: Pocket Zen, de Bruno Pacheco.