sábado, 24 de abril de 2010

Tua natureza verdadeira


Um iniciante no Zen foi até o mestre Bankei para fazer uma pergunta.

"Mestre, eu tenho um temperamento terrível. Às vezes, sou muito agitado e agressivo e acabo ofendendo as pessoas. Como posso curar isto?" , perguntou.

"Tu possuis algo muito estranho. Deixa-me ver como é esse comportamento" , disse o mestre.


"Bem, eu não posso mostra-lo exatamente agora" respondeu o iniciante.


"Por quê?" , perguntou Bankei.


"Não sei, é que isto sempre surge de forma inesperada" , disse.


"Então essa coisa não faz parte de tua natureza verdadeira. Se assim fosse, tu poderias mostra-la sempre que desejasses. Portanto, saibas que ela não existe" disse Bankei.



Texto retirado do livro: Pocket Zen de Bruno Pacheco
Imagem: Banco de imagens Gratuitas.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Inscrição para um portão de cemitério

Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"


Mario Quintana

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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ser ouvido


Estes dias por força do samsara ( संसार ), tive de ir ao médico, alias, médicos. Uma situação bem interessante para quem gosta do mundo dos fantasmas e espíritos. O hospital em questão foi o do Servidor Público em São Paulo, capital. A comunicação paranormal com entidades espirituais (atendentes) começou quando entrei no imenso complexo de prédios, eu digo paranormal pois era uma comunicação frenética e praticamente desconexa da realidade, jogando-me de um lado para outro, para cima e para baixo. Depois de um árduo percurso consegui me localizar nos corredores deste universo paralelo. E enfim fui atendido pela tal "entidade superior" (o médico) e foi exatamente neste momento que senti o que os espíritos sentem, você não é visto, não é ouvido, é simplesmente uma sombra sem poder algum para se comunicar com o mundo dos "vivos". Apenas a "entidade superior" tem a premissa das palavras, por mais que você tente, se esforce para ser percebido como algo, ou como algum tipo de ser, nada tem validade é apenas fracasso em cima de fracasso. Sua mente fica envolta por palavras inacessíveis vindas da "entidade superior" (talvez uma espécie de mantra). Aquele mundo não mais te pertence, gestos, palavras, sentido, sentimentos, tudo é transformado e você se vê numa linha tênue entre as sombras brancas e a realidade. A cada palavra, a cada gesto, mais distância. Estamos num mundo onde as pessoas estão a cada segundo mais surdas para com o outro, ninguém quer ouvir, só ser ouvido. O pior de tudo são aqueles que estudam para ouvir e não ouvem, pois programam suas mentes para ficarem fora de sintonia com o humano e só o pedestal do "científico" é aceito. Uma anomalia absurda, homens só com boca, sem ouvidos. É uma pena, poderiam aprender muito conosco, meros e simples espíritos humanos.



Imagem: Banco de imagens gratuitas

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Diálogo entre dois monges

"Aonde vais?"

"Vou a um passeio pelas redondezas."

"Qual o propósito do passeio?"

"Não sei."

"Bem, não sabendo fica mais perto."


Texto do livro Pocket Zen de Bruno Pacheco

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Origem do carma...




"- o desejo aliado à ignorância determinam um ato;

- o ato executado produz uma impressão e faz surgir a consciência de um eu;

- impressão e consciência do eu tendem a afirmar a existência individual;

- mas a existência individual não possui outra prova de sua realidade senão os sentidos;

- os sentidos que separam e que ligam provocam o contato com o mundo exterior;

- ora, o contato é gerador de sensação;

- mas não existe nenhuma sensação que não engendre um apetite, quer de prolongá-la, quer de renová-la;

- o apetite visa a incorporação do objeto desejado;

- essa absorção constrói, assim um vir a ser;

- todo vir a ser é criador de um nascimento de estado novo de maneira alguma exatamente semelhante;

- ora, todo nascimento, por sua própria razão de existir, comporta já o sofrimento devido à não-possessão e à perda à degradação pelo envelhecimento e finalmente, ao desaparecimento pela extinção."



Texto de: Maurice Percheron; in; Buda Mito e Realidade de Heródoto Barbeiro