terça-feira, 29 de setembro de 2009

Meditãção


Muitas pessoas me falam que precisam aprender a meditar para parar de pensar numa coisa ou outra, para esquecerem disto ou daquilo, ate insistem para que eu confirme. O facto é : Perguntam se meditar é parar de pensar?



Realmente existe uma corrente na Índia denominada Patanjali onde o propósito é a cessação intencional da atividade mental.


No Zen o objetivo não é interromper o ato de pensar, mas o de não “segurar” os pensamentos, deixar espontaneamente toda sua mobilidade, sem interferência, fixação, ou julgamentos daquilo que se passa pela mente; um observador da própria mente, sem tentar entender ou explicar cada pensamento, apenas observar toda esta “paisagem”.


Imagine uma viagem onde se avista uma vasta quantidade de flores, centenas de  espécies, uma mais bela que a outra, milhares de cores e formas; nós só observamos; não tentamos descobrir os motivos desta plantação, ou quem as plantou, muito menos quando. Com a mente devemos agir da mesma forma, só observar, contemplar a mente, seguir apenas a respiração, calma, tranquila e espontânea.


Segundo Alan W. Watts, “ é a maneira natural de agir da mente e do mundo, como quando os olhos vêem por si mesmos e os ouvidos ouvem por si mesmos e aboca abre-se por si mesma, sem ter que forçar”.


Quando você for meditar, apenas fique confortável em um lugar calmo, mas atento as “paisagens”, e boa viagem.
 
 
 
Imagem: Dividing Line, Berks County Farm Road

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Música de louco?


Estes dias, estava eu tranquilo ouvindo alguns mantras, de escolas budistas tibetanas, quando minha filha (Paula) adolescente entrou já reclamando da música do "barulho".


Dizia ela: " Nunca muda esta música, é sempre a mesma coisa?"


Respondi: "é sempre a mesma coisa".


Ela voltou a retrucar. " Credo, como alguém pode gostar desta repetição louca, é sempre igual, isto enche!"


Voltei para ela e disse: "que a mim não enchia". É claro que esta minha afirmação não deixaria esta pequena jovem quieta.

Minha pequena adolescente sentou e voltou ao ataque. "Só um sem noção, faz a mesma coisa sempre, nunca muda, isto é coisa de louco, você não acha?

Respondi: " também acho que é coisa de louco, repetir, repetir, repetir".

A Paula ficou muito satisfeita com minha resposta. Se você quer deixar um adolescente feliz é dizer que ele ganhou uma discussão.
Como um velho pai chato complementei reafirmando a tese dela: " repetir beijo no namorado é loucura; repetir as baladas com as mesmas músicas e amigas é loucura; repetir um chocolate também; assistir um show duas vezes então... nem se fala a tamanha loucura. Ver o Sol nascer na praia então é coisa para internação......
Claro que minha querida filha saiu furiosa da sala, com um sonoro; haaaaa paaaaiiiiiii.

Eu sorri.




quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O que é sansara?


Durante uma conversa, o Rei Milinda (um rei grego) perguntou a Nagasena:

“Que é sansara?”


“É muito simples: aqui nascemos e morremos. Depois nascemos de novo e, de novo, morremos. Isto é sansara.” Respondeu Nagasena.


“Poderias me explicar com mais clareza pediu o rei.”


“É como o caroço de uma manga que plantamos para comer o fruto. Quando a árvore cresce e dá frutos, as pessoas os comem para de novo plantar os caroços. E dos caroços nasce uma nova mangueira, que vai dar novos frutos. Desse modo a mangueira não tem fim. Da mesma forma, nascemos aqui e morremos ali. Sansara é a roda dos nascimento que é movida pelo carma.”


“O que renasce no outro mundo?” perguntou o rei.


“Depois da morte nascem o nome, o espírito, o corpo,” disse Nagasena.


“É o mesmo nome, o mesmo espírito e o mesmo corpo que nascem depois da morte? “, perguntou o rei.

“Não é o mesmo espírito e o mesmo corpo que nascem depois da morte. Este corpo e espírito criam a ação. Pela ação ou carma, nascem outro corpo”, concluiu Nagasena.


“Ainda não compreendo. Poderias usar uma imagem para que eu possa visualizar?”, perguntou o rei.


Nagasena levou o rei até um penhasco de onde se avistava o mar.


“Veja o mar. Uma onda nasce lá na arrebentação, cresce e vem morrer na beira da praia. Ela deixou de ser onda, mas nunca vai deixar de ser mar.”



Texto do livro, Pocket Zen

sábado, 12 de setembro de 2009

Crescer para ser?


Fico intrigado todas as vezes que escuto uma determinada pergunta. -" O que você quer ser quando crescer?" ( e no meu caso que nunca cresci ). Ou mesmo o contrário. - "Eu não sei o que serei quando crescer!" Ou assim, também escuto bastante. -"Deste jeito você nunca será nada".
Você queira ou não queira independente de qualquer coisa, neste planeta você já é um ser, ou seja, já é alguma coisa! Não preciso crescer especificamente. Criança é ser, adolescente é ser, mendigo é ser, empresário é ser. Se as perguntas fossem sobre suas habilidades, prazeres, ou que tipo de trabalho você gostaria de fazer é uma coisa, mas ser....

Por outro lado o que significa exatamente ser alguma coisa? Sou quem, ou sou o que?

Seja lá o que for gosto de não ser, ou não sei.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Quando aprenderemos?


Estes dias conversando com meus alunos sobre a vida que levavam, fiquei surpreso. Quase todos eles tinham e tem os mesmos medos, as mesma expectativa, e cometem os mesmos "erros" de 30 anos atrás. Isto me chamou muita a atenção para os ciclos infindáveis de "acertos" e "erros" que cometemos. Pior que isto; a insistência desta forma de viver.
Quando aprenderemos?

domingo, 6 de setembro de 2009

Malunkyaputra


A profunda sabedoria do Buda atraiu muitos intelectuais. Malunkyaputra foi um deles. Porém, a sua frustração crescia à medida que o Buda se negava a encarar algumas questões metafísicas essenciais. Até que, exasperado, foi ter com o Buda e confrontou-o com a seguinte lista de perguntas:

"Bem-Aventurado, há teorias que não explicastes, que ignorastes e para as quais não forneceste nenhuma resposta. Se o mundo é eterno ou não é eterno, se ele é finito ou é infinito; se a alma e o corpo são idênticos ou diferenciados, se alguém que atingiu o nirvana continua a existir após a morte ou não, ou se continua a existir e a não existir, ou se nem existe nem deixa de existir. O facto de o Bem-Aventurado não ter esclarecido estas questões, não me satisfaz nem me serve. Se o Bem-Aventurado não me as esclarecer, abandonarei as disciplinas espirituais e regressarei à vida laica."

"Malunkyaputra", respondeu serenamente o Buda," quando abraçastes a vida espiritual alguma vez te prometi responder a essas perguntas?". "Malunkyaputra já estava provavelmente arrependido daquele seu rompante, mas era demasiado tarde. "Não, Bem-Aventurado, nunca prometestes."
"Porque pensas que não o fiz?"
" Não faço ideia, Bem-Aventurado."
"Supõe, Malunkyaputra, que um homem foi ferido por uma seta envenenada e que os seus amigos e a sua família vão chamar um médico. 'Esperem!', diz ele, 'Não permitirei que me removam a seta até que saiba a que casta pertence o homem que me feriu. Tenho de saber que altura ele tem, de que família provém, onde é que vive, de que madeira é feito o seu arco, quem foi o frecheiro que fez as suas setas. Quando souber tudo isto, podereis remover a seta e dar-me um antídoto contra o seu veneno' O que pensarias de tal homem?" "Seria um louco, Bem-Aventurado", respondeu Malunkyaputra, com uma expressão de embaraço. "As perguntas dele nada têm a ver com a remoção da seta, e ele morreria antes que lhas respondessem." "De igual modo, Malunkyaputra, eu não ensino se o mundo é eterno ou não é eterno, se ele é finito ou é infinito, se a alma e o corpo são idênticos ou diferenciados, se alguém que atingiu o nirvana continua a existir após a morte ou não, ou se continua a existir e a não existir, ou se nem existe nem deixa de existir. Eu ensino como remover a seta: a verdade do sofrimento, a sua origem, o seu fim, e o Nobre Óctuplo Caminho"

In The Dhammapada, translated with a general introduction by Eknath Eashwaran, Tomales California: Nilgiri Press, 1985, p. 39-41.

Site Daruma

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Generosidade


Consciente do sofrimento causado pela exploração, pela injustiça social, pelo roubo e pela opressão, eu me comprometo a cultivar a gentileza amorosa e aprender maneiras de trabalhar pelo bem-estar das pessoas, animais, plantas e minerais. Praticarei a generosidade, compartilhando meu tempo, minha energia e meus recursos materiais com aqueles que realmente precisam. Estou determinado a não roubar e não me apossar de nada que por ventura pertença a outros. Respeitarei a propriedade alheia, mas impedirei que outros lucrem com o sofrimento humano ou com o sofrimento de outras espécies sobre a terra.


Texto do livro, Os Cinco Treinamentos Para A Mente Alerta, de Thich Nhât Hanh