domingo, 31 de maio de 2009

Retrato


Eu, Não Tinha este rosto de hoje,

assim calmo, assim triste, assim magro

nem estes olhos tão vazios,

nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração

que nem se mostra.

Eu não dei por conta esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil;

    • Em que espelho ficou perdida

      a minha face?


Cecília Meireles

Texto retirado do livro: Viagem, 1929/1937

Imagem: Francis Bacon, auto-retrato

terça-feira, 26 de maio de 2009

Toda a Ditadura Devora Sonhos


Ao contrário do que a maioria das pessoas imaginam, toda a ditadura é brutal não é por que ela é poderosa, ao contrário, é iminentemente faminta e medrosa . Como todo animal medroso e acuado ataca sem medidas, (afinal os animais só usam os instintos mais elementares).
Procuram atacar e destruir suas vítimas, seus pseudos “inimigos” sem a mínima hesitação, puros caçadores, mais do que isto são devoradores de sonhos. São incapazes de diferenciar homens, mulheres, crianças, idosos; todos são potencialmente inimigos. E quando falo de crianças estou falando a partir do nascimento, ou seja, nasceu, é caça. É claro que a ditadura na Birmânia não poderia ser diferente. Executam ferozmente todo ser que se manifestar pela paz, pela igualdade, pelo direito de simplesmente escolher ser.
Todas as ditaduras pelo meu ponto de vista são iguais, só mudam a posição no mapa.
Qual motivo de ser ditador?
Me parece que para alguns seres, olhar para felicidade dói. Para os ditadores não é fácil olhar, ver pessoas leves e delicadas trabalhando pela liberdade e felicidade de outros seres como é o caso de Aung San Suu Kyi, que atualmente é mais uma delicada flor sendo destroçada por uma ditadura.
É mais fácil eliminar pessoas felizes, solidarias do que buscar a própria felicidade?

terça-feira, 19 de maio de 2009

Os velhos e o tempo

É mais um dia como qualquer outro . O Sol aparece lentamente mas não radiante ou bucólico, apenas como frestas fugitivas no meio do concreto armado, mesmo ao meio dia não se pode perceber a totalidade de seu brilho, - pois a massa densa e cinza da poluição, da sempre a impressão de chuva, acredito até que passamos a pensar da mesma forma de tanto vê-lo.

Junto ao Sol como um trem descarrilhado, desgovernado, traz junto o fétido cheiro da cidade, um turbilhão de sons, como uma sinfonia de Paganini as cores vermelhas dos outdoors e dos jornais não deixam sombra de dúvida do que será mais este agonizante dia.

Como mortificante é a rotina, burocrática, robótica do dia, de todos os dias. Deve ser pior ainda os que não almejam, não desafiam, simplesmente vagam como peixes dentro de um aquário sem perceber a mediocridade de suas infelizes vidas, suas infelizes ilusões, aqueles que as tem.

No meio dos prédios desta megalópole um pequeno aquário em forma de apartamento, ali há mais de cinqüenta anos um casal divide todas as virtudes e os sacrifícios desta luta quase insana pela sobrevivência.

Como todos os dias colocaram a mesa para o café da manhã, passaram pelo estreito corredor embolorado e paredes descascadas. Só percebemos a existência de vida, através de velhas fotos amareladas pelo tempo, apenas sorrisos, paisagens, brindes, como se a vida fosse aqueles segundos diante de uma máquina fotográfica. Quem saberá daqueles rostos? De tanto olharem já não enxergam, física e mentalmente cegos de tanta vida, talvez com medo de encararem velhos fantasmas ou medo de terem um minuto de lucidez e perderem as amarras da velha, mas conhecida rotina.

Mesmo porque só estampamos nas paredes as vitórias, as derrotas encaixotamos nos velhos armários sob montanhas de papeis inúteis, muitas vezes cruéis, olhados pelas frestas do inconsciente onde o medo e a transparência ficam mais evidentes às sombras das rugas e nas trêmulas mãos.

Por aquele banheiro verde escuro com a tampa do vaso quebrada e a pia enferrujada, passaram filhos e netos, Hoje apenas a solidão, e torneira vazando.

Ao meio dia o cheiro de monóxido de carbono se mistura ao bolor e poeira dos tapetes do “aquário”. E gordurosamente o almoço é apreciado.

O barulho os tiros e os corpos pelas ruas aumentam, mas a rotina anestesia todos os sentidos. As sirenes das ambulâncias, resgates, polícias, parecem estar instaladas na sala.

Mas por algum motivo talvez interferência na natureza, configurações planetárias, efeito estufa, el nino. Quem saberá? Um estrondo e um silêncio. Tudo havia se modificado; paredes, cores, intenções, aflições... O olhar deste casal mudou, o mundo parou, tudo , absolutamente tudo ficou dissipado, nada ameaçava aqueles olhares, nada amedrontava mais. Não havia mais o cheiro de mofo, a torneira não pinga mais.

Aqueles fascinantes milésimos de segundos dos olhares do velho casal, transbordaram numa mágica difusão de toda sabedoria universal. Foi apenas 3,658 milésimos, menos que meia piscada de um olho humano, mas foi a eternidade do momento que levou o casal a entender toda a perspectiva de suas vidas nada foi mais belo que aquele momento, nada! Era o vazio, o total.

As mãos dadas, sinal das palavras ausentes, imprimiam como numa foto rejuvenescida o entendimento . Não precisava fala , gestos , apenas olhar eterno, terno, profundo e célere, como uma obra de Giotto. Aquele escasso e miserável tempo foi o suficiente para entenderem qual a finalidade de suas vidas.

Numa manchete pendurada em uma banca de jornal entre as várias estupidez da vida humana aparecia:

Casal de velhos encontrados mortos em prédio abandonado”, de mãos dadas e sorrindo um para o outro.

domingo, 17 de maio de 2009

Ser


Ser rico é quem não cobiça; ser livre é quem não odeia.
Ser sábio é quem não se cega; ser abençoado é quem nada anseia.


Venerável Mestre Hsing Yün

sábado, 16 de maio de 2009

Otimista

Seja otimista acerca de tudo e não se sobrecarregue.
Assim, você amenizará o estresse.



Venerável Mestre Hsing Yün

terça-feira, 12 de maio de 2009

sexta-feira, 8 de maio de 2009


Tarde demais é uma expressão cruel
Tarde demais é uma hora morta
Tarde demais é longe à beça
Não é lá que devemos deixar
florescer nossas descobertas.


Martha Medeiros

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Dez significados do vazio.



  1. O vazio nada obstrui. O vazio tudo permeia em todos os lugares, mas nada obstrui, em nenhum lugar.

  2. O vazio tudo permeia. Pode ser encontrado em todas as coisas.

  3. O vazio é o mesmo em tudo. Não tem preferência por lugares ou coisas em detrimento de outros lugares e coisas.

  4. O vazio é imenso, não tem começo, nem fim, nem limitações.

  5. O vazio não tem forma. Não tem face ou forma em nenhum lugar.

  6. O vazio é puro. Não tem impureza ou mácula.

  7. O vazio é imóvel. É imutável e existe além da vida e da morte.

  8. O vazio é uma negação absoluta, a negação absoluta de todas as coisas formadas e limitadas. Em última instância, todas elas se dissolvem no vazio

  9. O vazio é vazio. Nega a sua natureza e destrói todos os apegos a ela.

  10. O vazio é incoercível. Não pode ser contido, reprimido ou controlado por nada.


Hsing Yün, da escola budista Tch'an.


Texto do livro Buda O Mito E A Realidade do autor: Heródoto Barbeiro.



segunda-feira, 4 de maio de 2009

Para minha filha


TODOS OS FILHOS SÃO ESPECIAIS PARA OS PAIS, MAS VOCÊ MINHA QUERIDA É A FILHA QUE TODO PAI E MÃE GOSTARIAM DE TER.
É CLARO, NÃO É PERFEITA, MAS NÃO QUERO FILHA PERFEITA, QUERO UMA FILHA HONRADA E VOCÊ É.
NÃO QUERO UMA FILHA PERFEITA, QUERO APENAS LEALDADE E VOCÊ TEM. NÃO QUERO PERFEIÇÃO SÓ UMA FILHA QUERIDA E MEIGA E É O QUE VOCÊ FAZ COM TEUS CARINHOS E SORRISOS. TIVE A RARA OPORTUNIDADE PARA UM SER HUMANO, DE TER SUA PRESENÇA EM CASA. TE AMO, ASSIM SIMPLESMENTE COMO VOCÊ É, TOTALMENTE HUMANA.
POR ISTO, BATA SUAS ASAS, VOE.

sábado, 2 de maio de 2009

Recomendação


Atento ao sofrimento causado pela fala imprópria e pela inabilidade de escutar aos outros, eu juro cultivar a fala amorosa e a escutar profundamente de modo a trazer alegria e felicidade para outros e assim aliviá-los de seu sofrimento. Sabendo que as palavras podem criar tanto felicidade como sofrimento, eu prometo aprender a falar sinceramente, com palavras que inspirem autoconfiança, alegria e esperança. Eu estou empenhado a não divulgar notícias que eu não saiba serem corretas e a não criticar ou condenar coisas das quais eu não estou seguro. (Ven. Thich Nhat Hanh)