sexta-feira, 24 de abril de 2009

Uma xícara de Chá


Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas. Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda. O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse: "Está muito cheio. Não cabe mais chá!" "Como esta xícara," Nan-in disse, "você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?"

Meditar


Meditar é preciso
Apegar-se não é preciso

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Conviver é preciso

Conviver é uma tarefa difícil.
Imaginem um casal que naturalmente e espontaneamente resolvam ficar juntos, dividir espaços, intimidades, passeios, visões de mundo. Enquanto meu mundo está sob meu controle, ou melhor ilusão de controle, tudo é felicidade. A infelicidade surge quando meu suposto controle vai ruindo. O mais incrível é que quanto mais me apego tentando controlar, menos controle eu tenho. As brigas, os rancores quase são inevitáveis. E não se esqueçam, eles queriam esta relação, procuraram por ela, estavam conscientes disto.
Imaginem conviver sem escolhas, sem escolher os parceiros, espaços, nem mesmo visões de mundos ou que tipo de intimidades. Se em duas pessoas já é complicado, imagine centenas de pessoas no mesmo espaço.
Só pode virar um inferno.
É exatamente o que acontece nas escolas do mundo todo. Não escolho meus alunos, nem meus alunos me escolheram, não escolho a matéria que darei, muito menos meus alunos, não escolho os espaços adequados, ou ambientes, os alunos idem. Nada é feito para dar certo, é uma pseudo democracia, tudo e todos são obrigados, apenas obrigados, ninguém esta lá (na escola) livre e espontaneamente, Não há empatia alguma.
Fica uma sensação de impotência e violência.
A única solução possível, é uma democracia total e plena, onde professores com posturas pedagógicas semelhantes possam dar aulas em determinadas escolas que os acolham.
Por sua vez, pais e alunos procurariam escolas que mais se aproximassem de suas visões de mundo. Cada escola teria uma característica
real ou mais aproximada de sua comunidade.

A
implosão da escola já começou, não sei como ficará, mas tenho uma certeza que este modelo não sobreviverá.


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Planejar

Planejar é preciso
Se apegar ao planejamento não é preciso

Alunos X Professores


Conversando com colegas na sala dos professores, surgiu como sempre, o assunto, dos alunos tratarem muito bem os professores fora da sala de aula, fora da escola, Alguns professores chegam a dizer que não são as mesmas pessoas, pois, são amáveis, educados. Existe uma transformação fabulosa assim que alguns alunos colocam os pés dentro da escola. Sem dúvida há uma transformação na forma como se comportam.
Muitos de nossos colegas professores não entendem exatamente a causa de tamanha transformação.
Bem, pelo meu ponto de vista não é uma causa, mas várias, quase intermináveis, tentarei colocar alguns pontos que acho importantes.
Primeiro: Quase nunca o aluno ataca a pessoa do professor, ( sei que é difícil para muitos acreditarem nisto), mas a maioria dos jovens atacam o que ele representa dentro da instituição, ou seja ele não é mal educado com "Fulano ou Beltrano" especificamente, pois se trocarem ou melhor substituírem o professor o "problema" continuará.
Segundo: Nenhum aluno ou professor se escolhem. Quero dizer que para um bom relacionamento humano é preciso ter afinidades, principalmente na educação. Afinidades demandam muito tempo de reconhecimento, ( uma espécie de namoro ), o tempo não é suficiente, ou o professor ministra suas aulas (e é cobrado por isto), ou reconhece e trabalha a parte emotiva de seu educando.
Terceiro: Está relacionado ao segundo. Afetividade, trabalhar a afetividade do profissional e do aluno, para minha visão de mundo é o mais importante, para que uma educação, formal ou não tenha sucesso.
Sem afetividade não há educação.



Voltarei e continuarei nossa conversa, é só o começo.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Reverência para com a vida


Consciente do sofrimento causado pela destruição da vida, eu me comprometo a cultivar a compaixão e aprender maneiras de proteger a vida das pessoas, animais, plantas e minerais. Estou determinado a não matar, a não deixar que outros matem e a não tolerar qualquer ato de matança no mundo, no meu pensamento e no meu modo de viver.

Texto do livro: Cinco Treinamentos Para Uma Mente Alerta, de Tchi Nhât Hanh.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Automobilismo e Zen?


É uma comparação estranha mas vou arriscar.

A meditação andando (Kinhin) é uma prática bastante utilizada na escola Zen. O objetivo não é a pressa ou alcançar algum lugar externo, é uma caminhada de percepções do próprio corpo e de apurar gradativamente, ou não os vários sentidos.
Observando uma competição de automobilismo, os pilotos e suas equipes fazem praticamente a mesma coisa, claro que com objetivos completamente antagônicos, mas sem dúvida com uma grande disciplina. Não andam; Correm, correm, correm, para não irem a lugar nenhum, não saem do lugar, terminam exatamente onde começaram, testam seus "limites" ao máximo.
Talvez por isto é uma competição com muitos telespectadores. Na inconsciência o que estão assistindo é um Kinhin, (torto é claro), onde a disputa é pela primeira colocação, onde o ego transborda no momento do podiun, o que importa é quem foi o "primeiro"!
Quem sabe, num momento do tédio alguém se lembre que num circulo não há primeiro ou último; Com objetos em movimento o primeiro, meio ou último estão na verdade na mesma posição. Não há vencedores, só participantes.
Dias e dias em círculos.



Imagem de: F1 Brasil Challenge

sábado, 4 de abril de 2009

Onde

" Onde imaginávamos viajar para longe iremos ter ao centro de nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos na companhia do mundo todo"


Joseph Campbell