sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Expectativa ou ilusão?



A maior parte das frustrações da vida é na verdade derivada de nossas expectativas, ou de nossas ilusões?
Todas as vezes que viajamos ou fazemos uma simples compra de um objeto qualquer criamos expectativas inimagináveis. Um verdadeiro superlativo da imaginação. Acreditamos com plena convicção que aquilo dentro de nossa mente é verdadeiro, o clima estará ótimo, ninguém irá amassar o carro novo, passará com facilidade naquele concurso, seu mestrado será aceito, e, o melhor de todos, não morrerei amanhã. Uma grande cilada. Temos um pavor muito grande de pensar o contrário.
Quando alguém fala, -"amanhã vai chover", já gritam de lá -"fique quieto não está vendo que está "agourando" o dia".
Não se pode aceitar dentro desta análise "ocidental" que quebrem suas "expectativas".
É claro que quanto maior a expectativa maior a frustração.
Caso você não tenha expectativas sobre suas ações e de outras pessoas, menor será sua frustração, esta atitude lhe trará mais clareza para suas atividades, pois a mente estará atenta ao que realmente acontece e não aquilo que sua mente programou para acontecer.
Então, já que a expectativa é desprogramável, curta o dia sem preocupações, simplesmente, relaxe debaixo da chuva ou debaixo do sol, o resultado será o mesmo.
Enfim expectativa é um outro nome para ILUSÃO.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Disciplina


Disciplina é uma palavra não muito compreendida, é na verdade algo que assusta um pouco. Talvez a confusão venha do fato de que disciplina pode ser confundida como castigo, ou limitação de uma atitude ou ideia e é exatamente o contrario deste movimento. Poucas pessoas vêem como libertadora e não inibidora. Sem disciplina tudo ficaria mais distânte e confuso. Desde uma fila num banco até um silêncio numa peça de teatro. A disciplina aperfeiçoa os sentidos. Quando observamos a leveza de uma bailarina nem imaginamos o esforço continuo para atingir aquele movimento, que nos parece até natural e simples, mas é pura dedicação e disciplina. Os músicos tocam incessantemente para aperfeiçoarem suas técnicas, os atores ensaiam ate a exaustão para arrancarem de dentro deles os seres que se transformarão em personagens. A disciplina mostra que a prática constante nos dá a impressão que aquela atitude, - (seja qual for, de preferencia uma atitude responsavel), sempre esteve presente, de que nada é separado tudo faz sentido de maneira leve, harmoniosa, constante. Nada sobrando, nada faltando, tudo encaixado.
O Zazen não foge deste foco. Sentar-se calmamente, sistematicamente, disciplinando mente e corpo, só traz a sensação de que nada falta, nada sobra e tudo se encaixa.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

REALIDADE?


TODA REALIDADE É LIMITADA, PELA MINHA VERDADE E DA DO OUTRO.
QUANDO RETIRO ESTE LIMITE, -"MINHA, OUTRO"- NÃO HÁ REALIDADE NEM FALSIDADE, SÓ COMPREENSÃO.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O idoso sábio


"Era uma vez um velho sábio chamado Akbar.
Ele chegou a um pequeno povoado para passar os seus ensinamentos.
Só que os seus conselhos não conseguiram interessar à população e, depois de algum tempo, ele virou motivo de riso e ironia.
Um dia, um grupo de homens e mulheres começou a insultar o sábio, a dizer palavras baixas e humilhantes...
Ao invés de fingir que ignorava o que acontecia, o sábio foi até eles e desejou a todos um bom dia...
Fez-se um silêncio... E um dos homens comentou:
- Será que além de tudo, estamos diante de um homem surdo? Gritamos coisas horríveis e o senhor nos responde com uma saudação!
O velho sábio olhou a todos e disse calmamente:
- Cada um de nós só pode oferecer o que tem - virou as costas e foi embora..."

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Mudança



Hoje saí de uma reunião “pesada”, daquelas de arrebentar o cidadão com tamanha dor de cabeça e o pior é que não foi nada que exigisse algo além de nossas possibilidades, eram até coisas simples, beirando o elementar. Mas exigia uma pequena coisa “MUDANÇA”. Nunca pensei que uma palavrinha causasse uma confusão generalizada;colegas de longa data se atacando mutuamente, parecia até inimigos com olhares raivosos, levantando voz e gesticulando como guerreiros. - Opa! Que estranho, será que estamos percebendo, o que está cegando?

Mudar não é algo que os seres humanos estejam acostumados, encaram mudanças como animais acuados, ( pelo menos naquele momento). Comecei a refletir o que levou a esta confusão.

Espero que meus amigos possam me ajudar na minha tese, que alias é bem simples e bem conhecida dos ensinamentos budistas.

Apego É uma das causas de aflições humanas mais comuns e mais virulentas. O medo na verdade não é da “mudança” em si; mas daquilo que seu ego enxerga como seu. A pessoa não consegue ver o outro, a ideia do outro, o espaço do outro, apenas o seu. Há um bloqueio total na forma de encarar a vida. Neste sistema ceder é fraqueza e ninguém gosta de se mostrar fraco e uma das formas de se mostrarem fortes é não ceder. O ego não permite observar com naturalidade o espaço em sua volta, este monstro cega completamente o ser, que fica incapacitado. Alguns temporariamente, outros carregam o onos de seu apego insano.

Mudem. Mudem de lugar na mesa, façam caminhos diferentes disciplinem suas mentes para não se apegarem a nada. Tudo acaba, sempre acaba. Tendo isto em mente talvez as mudanças ficarão mais fáceis e compreensíveis. Afinal as borboletas mudam.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Os cenários não fazen a vida


NA MINHA VIDA NÃO HÁ CENÁRIOS MARAVILHOSOS NEM MESMO UM POBRE CENÁRIO, MAS, UM OLHAR "ZEN" PELA VIDA ME DÁ FORÇA PARA COMBATER O MONSTRO DO EGO.
VEJO OLHARES BEM PIORES QUE OS MEUS OLHARES, SILENCIOSOS DE DOR, DE APATIA, DE PROTESTO POR ALGO QUE NÃO ENTENDEM E POR ISTO NÃO PODEM LUTAR. ENTRETANTO É NO OLHAR QUE ESTAS DESGRAÇAS APARECEM. SÓ NA RETINA DESGASTADA PELA HIPOCRISIA MILENAR DE SE FALAR DEMAIS, JULGAR MUITO E NÃO FAZER NADA, QUE ESTES SERES ESTÃO PRESOS NO GRANDE OCEANO DA VIDA, SE DEBATENDO FRÉNETICAMENTE SEM PERCEBER A BÓIA AO LADO.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Atenção, uma regra importante para o Zem


A maioria dos meus alunos vivem perguntando a respeito da minha religiosidade. Respondo sempre, "Budismo Zen". Mas não é suficiente. Querem mais, respondo então. "Viver com Atenção". -"Só isto?" -"Só"- respondo -"Mas é muito fácil, não tem graça, que coisa mais estranha".
Pergunto então: "Sem olharem, qual é a cor de suas canetas que agora seguram?". Silêncio.....risadas logo após.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O Budismo e o Tempo



Quando nossa mente está alerta tudo pode ser usado para ajudar em nossa prática.


Em casa nós temos uma gata toda branca, que aliás ela quem nos procurou com certa insistência, afinal este ser foi quem nos adotou e não o contrário, uma bola de pelos brancos, bagunçando todo o esquema da casa. - Bem ,vocês vão me perguntar, mas afinal,aonde fica o Budismo e o tempo?

Para nós budistas o tempo praticamente não existe, velho, novo, real, irreal... - O tempo não é contado de maneira linear absoluta, podemos estar aqui com 50 anos e nossa mente em outra dimensão aos três por exemplo.

Voltando à gata aqui de casa o termo da relatividade do tempo é facilmente compreendido. Este pequeno animal tem 6 anos de idade para nós, mas para ela em termos biológicos já é uma senhora de meia idade. Apesar dos 6 ou dos 50 anos, a forma com que esta felina interage com o mundo é o mesmo de quando apareceu aqui em casa com 3 meses de idade. Afinal, qual é o verdadeiro tempo de vida deste animal; 3 meses, 50 ou 6 anos, são todos juntos ou separados, em que tempo ela se apega?

Dei este exemplo para podermos refletir de que a forma como nos sentimos no mundo é o que conta. Um popular Koan Zen já perguntava. “ Qual era a forma do seu rosto antes de seus pais nascerem?”.