segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Meu futuro é meu passado?


Me pego sempre com a questão do "Eu".
Estes dias estava lembrando de uma brincadeira que fiz juntando diversas fotos de documentos antigos, escaneei algumas e deu nisto ai em cima. Um conjunto de "eus", todas as fotos são do mesmo ser, mas não sei se são todas o que sou hoje, ou ao menos perto de ser.
As diferenças físicas são claras, e para quem me conhece pessoalmente as diferenças mentais mais ainda.
Uma pessoa só e tantos "eus".

Um deles: revolucionário de esquerda, lutando contra a burguesia opressora construindo sindicatos e organizando manifestações públicas, brigando com a tropa de choque, gritando palavras de ordem. Mas, pensando em tirar carta de motorista e comprar um carro.
Em conversas com amigos dizia que jamais colocaria uma gravata, este símbolo máximo de um burguês alienado. Um pouco mais adiante de gravata, em várias ocasiões.
Escrevendo, dirigindo e atuando em peças de teatro, fazendo cenários e iluminação.
Em outro momento morrendo de medo de não entrar numa faculdade ou de conseguir pagar as contas no final do mês, passando dias, meses por um emprego, (organizar um palanque era fichinha).
Ter tido relacionamentos acabados e se acabando por isto, (enfrentar a tropa de choque era bem mais fácil, a dor era só física).
Qual deles sou eu hoje, todos, nenhum, um pouco de cada?
Bem, bem, bem..... com certeza mais velho sempre.


Talvez quem sabe mais cabelo no passado

sábado, 26 de dezembro de 2009

REALIZAR A PAZ E FELICIDADE



QUE TODOS NÓS POSSAMOS FAZER DAS FESTAS DE FIM DE ANO UM PERÍODO DE REFLEXÃO.
DE QUAIS FORMAS PODEMOS
REALIZAR PAZ, FELICIDADE E NÃO APENAS DESEJA-LAS?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Revista Triratna

Triratna - a revista do CBB

É um prazer anunciar o lançamento da Revista Triratna do Colegiado Buddhista Brasileiro, uma revista online que almeja trazer artigos e depoimentos de professores buddhistas brasileiros e/ou conectados com o Brasil, com temas atuais e informativos. O Colegiado Buddhista Brasileiro é uma entidade sem fins lucrativos criada com o objetivo maior de contribuir para a difusão, sustentação e correta orientação dos ensinos de Buddha. Com a Revista Triratna, uma nova frente se abre para a divulgação do Dharma (pali, Dhamma) em língua portuguesa. Seu número 1 pode já ser acessado aqui. Leiam e divulguem!


Do site Folhas no Caminho

domingo, 20 de dezembro de 2009

Fonte da Felicidade


Descobri que o mais alto grau de paz interior decorre da prática do amor e da compaixão. Quanto mais nos importamos com a felicidade de nossos semelhantes, maior o nosso próprio bem-estar. ao cultivarmos um sentimento profundo e carinhoso pelos outros, passamos automaticamente para um estado de serenidade. Esta é a principal fonte da felicidade


Dalai Lama do livro Palavras de Sabedoria

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Turma vai, Turma vem

Enfim, o ano escolar acaba, e mais uma turma buscará novos lugares e novas amizades, novos mundos, novas perspectivas nascerão.
Todo ano a mesma tradição; choros, saudades, risadas, lembranças, abraços, fotos, fotos e mais fotos, viagens, fotos de novo.
Bem, o que mais chama a minha atenção nestas despedidas é quando os alunos vem me abraçar e relembram o que passamos juntos, o mais incrivel é que nenhum deles nestes mais de trinta anos, relembram as aulas, ou a matéria que foi dada. Mas do dia que conversamos sobre a morte de um animal de estimação, das brigas com os namorados, da injustiça de um patrão, o divórcio dos pais. A diferença então, não foram as aulas durante quatro anos, a diferença foi o afeto. Que continue assim, que venham as novas turmas e novos desafios.
Para aqueles que partem, busquem sempre suas verdades.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Boas Qualidades

As boas qualidades humanas - honestidade, sinceridade e um bom coração - não podem ser comparadas com dinheiro e nem produzidas por máquinas ou mesmo pela mente.
Nós chamamos de luz interior.

Texto retirado do livro: Palavras de Sabedoria, de Sua Santidade, Dalai Lama

domingo, 29 de novembro de 2009

A palavra mais falada


Em uma pesquisa inédita, feita em vários países do mundo, teve o intuito de saber qual a palavra mais falada pelos humanos. Apesar de explicar muitas coisas e do fato não causar nenhuma surpresa, havia algumas apostas diferentes. Alguns apostavam em "AMOR", outros, "GUERRA", "PRECONCEITO", "PAIXÃO", "INTOLERÂNCIA", "AMIZADE", "ADORO" "DETESTO" "ODEIO". ( Esta última foi minha aposta).
No fundo é uma espécie de resumo dos acontecimentos mais intoleráveis da humanidade, é um paradoxo na verdade.
A palavra mais falada pelos humanos é: "EU". Destruidoramente simples, "EU".
Talvez se fosse "NÓS" as coisas neste planetinha árido seria diferente.

Vamos lançar uma campanha: Menos "eu" e mais NÓS.


Imagem: openphoto

sábado, 21 de novembro de 2009

Paraíso ou Inferno


Um samurai chamado Nobushige encontrou o mestre Hakuin numa estrada.

- Mestre existem realmente um paraíso e um inferno?"

- "Quem és tu?" perguntou Hakuin.

- "Um samurai", respondeu o outro.

- "Tu um guerreiro?, não me faças rir, tu pareces um mendigo", Exclamou Hakuin.

Isso foi como uma ofensa para o samurai, que desembainhou a espada.

- " Ah e ainda tens uma espada! Será que ela é afiada o suficiente para cortar minha cabeça?" perguntou.

Cego de fúria, o samurai levantou a espada, pronto para decepar Hakuin.

-" Aqui se abrem as portas do inferno", disse Hakuin.

Diante destas palavras o samurai se deteve e compreendendo o ensinamento do mestre, guardou a espada e fez uma reverência.

-" Aqui se abrem as portas do paraíso, concluiu o mestre".


Texto retirado do livro: Pocket Zen de Bruno Pacheco

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Observação


Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

Mário Quintana

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Autopercepção e não Autoconsciência


  A autoconsciência é uma doença, enquanto a auto-percepção é saúde. Qual a diferença? As palavras aparentemente querem dizer a mesma coisa. Podem até significar a mesma coisa, mas quando as uso, são diferentes.

  Quando falo em autoconsciência, a ênfase está no eu.

Quando falo de auto-percepção estou falando de percepção.

Se quiser, você pode usar a mesma palavra, autoconsciência, para as duas coisas. Se a ênfase for na "consciência", sera saudável. É uma diferença muito sutil, mas muito importante.

  A autoconsciência é uma doença porque significa que você está permanentemente consciente no seu "eu". Você fica pensando: "Como as pessoas estão se sentindo ao meu respeito?", "Como estão me julgando?", "Qual será a opinião delas: será que gostam de mim ou não, será que me aceitam ou rejeitam, será que me amam ou me odeiam?".....

O centro é sempre o ego. Isso é uma doença.....  Contudo, se você mudar o foco, se deslocar a ênfase do ego para a consciência, não se preocupará se as pessoas o aceitam ou rejeitam. Neste caso, a opinião delas não importa, tudo o que você quer é estar alerta em todas as situações. Assim não é importante se elas o amam ou odeiam, se consideram santo ou pecador, nada disto importa. O que dizem ou pensam de você não lhe diz respeito, é problema delas, elas devem decidir por conta própria. Você só tenta ficar alerta em todas as ocasiões.

   Talvez alguém se aproxime e se curve diante de você, dizendo que você é um santo. Você não deve se preocupar com o que ela diz ou acredita. Deve apenas permanecer alerta para que esta pessoa o arraste de volta para a não-percepção, só isto. Da mesma forma se alguém o insultar e agredir, não se importe com isso. Apenas fique alerta e você permanecerá intocado - esta pessoa não pode arrasta-lo para lugar algum.

  Agindo assim, você será sempre o mesmo, ao ser elogiado ou condenado, no fracasso ou sucesso. Através de seu estado de percepção, você atinge uma tranquilidade que não pode ser perturbada de forma alguma.


   Texto do livro: Aprendendo a silenciar a mente, do autor Osho

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Amizade

Grande parte da vitalidade de uma amizade reside no respeito pelas diferenças, não apenas em desfrutar das semelhanças.
(James Fredericks)  

sábado, 7 de novembro de 2009

As Boas Ações



Esmagar sempre o próximo
não acaba por cansar?
Invejar provoca um esforço
que inchas as veias da fronte.
A mão que se estende naturalmente
dá e recebe com a mesma facilidade.
Mas a mão que agarra com avidez
rapidamente endurece.
Ah! que delicioso é dar!
Ser generoso que bela tentação!
Uma boa palavra brota suavemente
como um suspiro de felicidade!


Bertolt Brechet

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Assista, e talvez você sorria.

    Busque fazer coisas e simples, para beneficiar outras pessoas. Gentileza, um sorriso, um abraço, já é um bom passo.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O segredo

"O segredo da saúde da mente e do corpo está em não lamentar o passado, em não se afligir com o futuro e em não antecipar preocupações; mas está no viver sabiamente e seriamente o presente momento."

     (Sakyamuni)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Zen

O buddhismo Zen é baseado na idéia de que, já que todos os seres sencientes têm uma natureza búddhica, para atingir a iluminação é apenas necessário descobrir este buddha interior. Já que você já é um buddha, você está iluminado no momento em que entender sua verdadeira natureza. Digo que o Zen é mal entendido porque as pessoas muitas vezes acreditam que este "descobrimento" da natureza búddhica interior pode ser atingido sem trabalho. Este não é o caso. A prática Zen real é muito disciplinada e muitos anos de estudo devem necessariamente preceder a liberação "súbita" na verdade.
(Hsing Yün, Only a Great Rain)


Texto retirado do site:  Ecos do Silêncio

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Silenciar a Mente





  A mente é seu passado tentando constantemente controlar seu presente e seu futuro. É o passado morto, que permanece controlando o presente vivo. Fique alerta quanto a isso.
  Mas de que forma a mente o controla? Ela usa o seguinte método: "Se você não me escutar, não será tão eficiente quanto eu sou. Se você fizer algo já conhecido, será mais eficiente pois já fez isto antes. Se fizer algo novo não será tão eficiente". A mente fala sempre como um economista, um especialista em eficácia. Fica dizendo: " É mais fácil fazer assim. Por que tentar da forma mais difícil? Este é o caminho que oferece a menor resistência."
   Lembre-se quando tiver que escolher entre duas alternativas, escolha sempre a nova.... Escolha a percepção mesmo que seja menos eficaz...
   ...Portanto, seja menos eficiente e mais criativo....Você não esta aqui para ser uma ferramenta. Nem para tornar-se cada vez mais eficiente, e sim tornar-se mais vivo, mais inteligente, cada vez mais feliz, até o êxtase da felicidade. 


    Texto do livro:  Aprendendo a silenciar a mente. Escrito por: Osho

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Meus Olhos

  

            

  Quando ponho os olhos em mim diante do espelho, vejo apenas uma miragem de quem sou. E a maioria do tempo acredito que esta miragem é minha parte verdadeira, pois é a única coisa que vejo, ou a única coisa que quero ver.
  Afinal o que vejo é a mesma coisa que outros enxergam?... Sinto que não.
  Tenho que parar de me olhar, ou melhor, tenho que me ver verdadeiramente, sem teatros, sem máscaras, sem "milagres" ou subterfúgios.


  Será que um dia conseguirei?
   Lua, onde está para desviar meu olhar de mim mesmo?

domingo, 18 de outubro de 2009

Tormentas

  Imagine que você por algum motivo ganhou de presente uma viagem, um cruzeiro  marítimo.
  Tudo é beleza e tranquilidade, a tripulação se esmera em atender todos os seus caprichos, afinal você é o grande merecedor desta viagem fantástica. A cada instante uma nova paisagem. Lugares exóticos, pessoas lindas e interessantes. Tudo é perfeição; Tudo? 
  Mar é mar, tem seus próprios desejos e vontades, uma grande tormenta põe em dúvida todo o seu passeio, o navio tão seguro parece mais uma casca de amendoim nas gigantescas ondas do oceano. As ondas jogam todos e tudo para um lado e para outro.  Enfim você sobrevive, mas perde tudo no naufrágio, não tem como voltar para o início da sua jornada. Milhares de perguntas serpenteiam sua mente. Se não tivesse embarcado, ou mesmo ganho a viagem? O que teria acontecido? 
  Que "azar" justo comigo.

    Por isto meu amigo aproveite a viagem antes da próxima tormenta, e lembre-se você não estava sozinho no navio. 

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Saúde



" Quando somos capazes de sair da concha de nosso pequeno eu e ver que estamos inter-relacionados com todos e com tudo, observamos que cada ato nosso está ligado com a humanidade inteira, com o cosmos inteiro. Manter-se com saúde é ser gentil com seus ancestrais, com seus pais, com gerações futuras e também com sua sociedade. Saúde não é só corporal, mas também a saúde mental."

    Texto retirado do livro: Os Cinco Treinamentos Para A Mente Aberta
    De:  Thich Nhât Hanh

domingo, 11 de outubro de 2009

América medita - 12 de outubro

Não custa nada e vale muito.
Vamos vibrar pela paz na terra, em nossos lares, em nossos trabalhos, enfim...
Muita PAZ!
Todos sabem que no próximo dia 12 de outubro, às 18h teremos um evento histórico: América Medita.
Será a primeira vez em que teremos uma meditação simultânea em todo o continente americano.
Dentre as cidades que irão meditar juntas estão: Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires, New York, Montreal, Montevidéo, Cidade do México, La Paz, Santiago de Chile, Salvador, Lima, Assunção, Quito, Caracas, Bogotá, Paramaribo, Georgetown, Santo Domingo, San Juan de Puerto Rico, San José de Costa Rica e Panamá.
Existem pesquisam que comprovam que a prática de Meditações em Grupo, não só beneficiam seus praticantes, mas também toda a área em sua volta. Há estudos que comprovam que a prática de meditação coletiva pode ajudar a reduzir em até 25% a violência naquela região, sem qualquer alteração na conjuntura econômica ou política.
Por que isso? Porque toda essa vibração de paz e serenidade que criamos dentro de nós não ficam só conosco, mas são irradiadas para todo o ambiente.
No Rio, a meditação será em um dos pontos mais lindos da cidade, diante de um pôr-do-sol deslumbrante: A PEDRA DO ARPOADOR. (Você poderá meditar, porém, sem sair de casa...)
Nós estaremos meditando aqui em São Paulo, na Praça do Estádio Municipal do Pacaembu, dia 12 de outubro, às 18h. Venham meditar com toda a América.
Quanto mais pessoas participarem mais forte será e maiores os benefícios, tanto para nós quanto para a toda a cidade, todo o país e todo o continente! Por isso MESMO divulgue, chamando seus amigos.
Vamos todos contagiar e ser contagiados por essa atmosfera de Paz!

Site: Monja Coen

sábado, 10 de outubro de 2009

Um discípulo e seu mestre

     "Mestre, uma árvore possui a natureza de Buda?"

     "Sim", respondeu o mestre.

     "E quando a árvore se tornará Buda?", perguntou o discípulo.

     "Quando o céu cair", disse o mestre.

      O discípulo confuso coça a cabeça.

     "E quando o céu cairá?"

     "Quando a árvore se tornar um Buda.


  Texto retirado do livro: Pocket Zen do autor Bruno Pacheco

sábado, 3 de outubro de 2009

Mercedes Sosa "NEGRA"


 
Querida "NEGRA", é assim que o povo canta teu nome por todas paragens latinas.
Este anjo rouco e sem asas que libertou mais países e pessoas com sua música e voz, do que todas as armas desta velha América.
 Pensei em ve-la mais vezes, me desculpe; acreditei que nunca fosse, mas vamos todos.
Em 1983 tive a grata tarefa de ajudar a organizar um comício onde a maravilhosa Mercedes Sosa cantou. Ajudando este anjo rouco a subir num palco "quase" improvisado perguntei ;  "poderia ajuda-la em mais alguma coisa?" Respondeu ela segurando firme e forte minha mão com um sorriso que parecia mais um Sol; -" cante querido, cante junto de teu povo, do povo Latino Americano".
  Obrigado mestra.
saudades
  

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Herança ( Cecília Meireles)




Eu vim de infinitos caminhos.
e os meus sonhos choveram lúcido pranto pelo chão.
Quando é que frutifica nossos caminhos infinitos, essa vida, que era tão viva, tão fecunda, porque vinha do coração?
E os que vieram depois, pelos caminhos infinitos, do pranto que caiu dos meus olhos passados, que experiência, ou consolo, ou prêmio alcançarão?


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Meditãção


Muitas pessoas me falam que precisam aprender a meditar para parar de pensar numa coisa ou outra, para esquecerem disto ou daquilo, ate insistem para que eu confirme. O facto é : Perguntam se meditar é parar de pensar?



Realmente existe uma corrente na Índia denominada Patanjali onde o propósito é a cessação intencional da atividade mental.


No Zen o objetivo não é interromper o ato de pensar, mas o de não “segurar” os pensamentos, deixar espontaneamente toda sua mobilidade, sem interferência, fixação, ou julgamentos daquilo que se passa pela mente; um observador da própria mente, sem tentar entender ou explicar cada pensamento, apenas observar toda esta “paisagem”.


Imagine uma viagem onde se avista uma vasta quantidade de flores, centenas de  espécies, uma mais bela que a outra, milhares de cores e formas; nós só observamos; não tentamos descobrir os motivos desta plantação, ou quem as plantou, muito menos quando. Com a mente devemos agir da mesma forma, só observar, contemplar a mente, seguir apenas a respiração, calma, tranquila e espontânea.


Segundo Alan W. Watts, “ é a maneira natural de agir da mente e do mundo, como quando os olhos vêem por si mesmos e os ouvidos ouvem por si mesmos e aboca abre-se por si mesma, sem ter que forçar”.


Quando você for meditar, apenas fique confortável em um lugar calmo, mas atento as “paisagens”, e boa viagem.
 
 
 
Imagem: Dividing Line, Berks County Farm Road

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Música de louco?


Estes dias, estava eu tranquilo ouvindo alguns mantras, de escolas budistas tibetanas, quando minha filha (Paula) adolescente entrou já reclamando da música do "barulho".


Dizia ela: " Nunca muda esta música, é sempre a mesma coisa?"


Respondi: "é sempre a mesma coisa".


Ela voltou a retrucar. " Credo, como alguém pode gostar desta repetição louca, é sempre igual, isto enche!"


Voltei para ela e disse: "que a mim não enchia". É claro que esta minha afirmação não deixaria esta pequena jovem quieta.

Minha pequena adolescente sentou e voltou ao ataque. "Só um sem noção, faz a mesma coisa sempre, nunca muda, isto é coisa de louco, você não acha?

Respondi: " também acho que é coisa de louco, repetir, repetir, repetir".

A Paula ficou muito satisfeita com minha resposta. Se você quer deixar um adolescente feliz é dizer que ele ganhou uma discussão.
Como um velho pai chato complementei reafirmando a tese dela: " repetir beijo no namorado é loucura; repetir as baladas com as mesmas músicas e amigas é loucura; repetir um chocolate também; assistir um show duas vezes então... nem se fala a tamanha loucura. Ver o Sol nascer na praia então é coisa para internação......
Claro que minha querida filha saiu furiosa da sala, com um sonoro; haaaaa paaaaiiiiiii.

Eu sorri.




quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O que é sansara?


Durante uma conversa, o Rei Milinda (um rei grego) perguntou a Nagasena:

“Que é sansara?”


“É muito simples: aqui nascemos e morremos. Depois nascemos de novo e, de novo, morremos. Isto é sansara.” Respondeu Nagasena.


“Poderias me explicar com mais clareza pediu o rei.”


“É como o caroço de uma manga que plantamos para comer o fruto. Quando a árvore cresce e dá frutos, as pessoas os comem para de novo plantar os caroços. E dos caroços nasce uma nova mangueira, que vai dar novos frutos. Desse modo a mangueira não tem fim. Da mesma forma, nascemos aqui e morremos ali. Sansara é a roda dos nascimento que é movida pelo carma.”


“O que renasce no outro mundo?” perguntou o rei.


“Depois da morte nascem o nome, o espírito, o corpo,” disse Nagasena.


“É o mesmo nome, o mesmo espírito e o mesmo corpo que nascem depois da morte? “, perguntou o rei.

“Não é o mesmo espírito e o mesmo corpo que nascem depois da morte. Este corpo e espírito criam a ação. Pela ação ou carma, nascem outro corpo”, concluiu Nagasena.


“Ainda não compreendo. Poderias usar uma imagem para que eu possa visualizar?”, perguntou o rei.


Nagasena levou o rei até um penhasco de onde se avistava o mar.


“Veja o mar. Uma onda nasce lá na arrebentação, cresce e vem morrer na beira da praia. Ela deixou de ser onda, mas nunca vai deixar de ser mar.”



Texto do livro, Pocket Zen

sábado, 12 de setembro de 2009

Crescer para ser?


Fico intrigado todas as vezes que escuto uma determinada pergunta. -" O que você quer ser quando crescer?" ( e no meu caso que nunca cresci ). Ou mesmo o contrário. - "Eu não sei o que serei quando crescer!" Ou assim, também escuto bastante. -"Deste jeito você nunca será nada".
Você queira ou não queira independente de qualquer coisa, neste planeta você já é um ser, ou seja, já é alguma coisa! Não preciso crescer especificamente. Criança é ser, adolescente é ser, mendigo é ser, empresário é ser. Se as perguntas fossem sobre suas habilidades, prazeres, ou que tipo de trabalho você gostaria de fazer é uma coisa, mas ser....

Por outro lado o que significa exatamente ser alguma coisa? Sou quem, ou sou o que?

Seja lá o que for gosto de não ser, ou não sei.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Quando aprenderemos?


Estes dias conversando com meus alunos sobre a vida que levavam, fiquei surpreso. Quase todos eles tinham e tem os mesmos medos, as mesma expectativa, e cometem os mesmos "erros" de 30 anos atrás. Isto me chamou muita a atenção para os ciclos infindáveis de "acertos" e "erros" que cometemos. Pior que isto; a insistência desta forma de viver.
Quando aprenderemos?

domingo, 6 de setembro de 2009

Malunkyaputra


A profunda sabedoria do Buda atraiu muitos intelectuais. Malunkyaputra foi um deles. Porém, a sua frustração crescia à medida que o Buda se negava a encarar algumas questões metafísicas essenciais. Até que, exasperado, foi ter com o Buda e confrontou-o com a seguinte lista de perguntas:

"Bem-Aventurado, há teorias que não explicastes, que ignorastes e para as quais não forneceste nenhuma resposta. Se o mundo é eterno ou não é eterno, se ele é finito ou é infinito; se a alma e o corpo são idênticos ou diferenciados, se alguém que atingiu o nirvana continua a existir após a morte ou não, ou se continua a existir e a não existir, ou se nem existe nem deixa de existir. O facto de o Bem-Aventurado não ter esclarecido estas questões, não me satisfaz nem me serve. Se o Bem-Aventurado não me as esclarecer, abandonarei as disciplinas espirituais e regressarei à vida laica."

"Malunkyaputra", respondeu serenamente o Buda," quando abraçastes a vida espiritual alguma vez te prometi responder a essas perguntas?". "Malunkyaputra já estava provavelmente arrependido daquele seu rompante, mas era demasiado tarde. "Não, Bem-Aventurado, nunca prometestes."
"Porque pensas que não o fiz?"
" Não faço ideia, Bem-Aventurado."
"Supõe, Malunkyaputra, que um homem foi ferido por uma seta envenenada e que os seus amigos e a sua família vão chamar um médico. 'Esperem!', diz ele, 'Não permitirei que me removam a seta até que saiba a que casta pertence o homem que me feriu. Tenho de saber que altura ele tem, de que família provém, onde é que vive, de que madeira é feito o seu arco, quem foi o frecheiro que fez as suas setas. Quando souber tudo isto, podereis remover a seta e dar-me um antídoto contra o seu veneno' O que pensarias de tal homem?" "Seria um louco, Bem-Aventurado", respondeu Malunkyaputra, com uma expressão de embaraço. "As perguntas dele nada têm a ver com a remoção da seta, e ele morreria antes que lhas respondessem." "De igual modo, Malunkyaputra, eu não ensino se o mundo é eterno ou não é eterno, se ele é finito ou é infinito, se a alma e o corpo são idênticos ou diferenciados, se alguém que atingiu o nirvana continua a existir após a morte ou não, ou se continua a existir e a não existir, ou se nem existe nem deixa de existir. Eu ensino como remover a seta: a verdade do sofrimento, a sua origem, o seu fim, e o Nobre Óctuplo Caminho"

In The Dhammapada, translated with a general introduction by Eknath Eashwaran, Tomales California: Nilgiri Press, 1985, p. 39-41.

Site Daruma

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Generosidade


Consciente do sofrimento causado pela exploração, pela injustiça social, pelo roubo e pela opressão, eu me comprometo a cultivar a gentileza amorosa e aprender maneiras de trabalhar pelo bem-estar das pessoas, animais, plantas e minerais. Praticarei a generosidade, compartilhando meu tempo, minha energia e meus recursos materiais com aqueles que realmente precisam. Estou determinado a não roubar e não me apossar de nada que por ventura pertença a outros. Respeitarei a propriedade alheia, mas impedirei que outros lucrem com o sofrimento humano ou com o sofrimento de outras espécies sobre a terra.


Texto do livro, Os Cinco Treinamentos Para A Mente Alerta, de Thich Nhât Hanh

sábado, 29 de agosto de 2009

O que esperar?

No Zazen não devemos ter expectativas. Zazen não é uma técnica para obter o que quer que seja, é muito mais natural do que isso. No entanto, as coisas mais naturais são por vezes as mais difíceis. E porquê? Porque pensamos. Não há nada de errado com o pensamento. Pensar é um processo muito natural, mas deixamo-nos condicionar muito facilmente pelos nossos pensamentos e damos-lhes muito valor. Tentamos cuidar de nós mesmos, da estrutura do nosso ego, através do pensamento. Pensar é uma abstração. Não é ser, é pensar sobre ser. E uma vez que nascemos e morremos sete mil vezes por segundo, as condições que pensamos já desapareceram. Pensamos acerca de sombras em vez de sermos a própria vida.


Texto: Taizan Maezumi Roshi (1931 1995)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Flor guerreira



Sou apenas um jardineiro da educação. Pelos vários jardins que já manejei por este país encontrei diversas flores, cada uma com sua beleza própria, mas algumas são flores guerreiras, como esta que vocês estão admirando acima.
Uma flor leal, educada, sempre ajudando.

sábado, 22 de agosto de 2009

Precisamos de você



Aprende – lê nos olhos,

Lê nos olhos – aprende

a ler jornais, aprende:

a verdade pensa

com sua cabeça.


Faça perguntas sem medo,

não se convença sozinho

mas veja com seus olhos.

Se não descobriu por si

na verdade

não descobriu.


Confere tudo, ponto

por ponto – afinal

você faz parte de tudo,

também vai no barco,

aí pagar o pato”,

vai pegar o leme um dia.


Aponte o dedo, pergunta:

Que é isso? Como foi parar aí?

Por que?

Você faz parte de tudo.


Aprende, não perde nada

das discussões, do silêncio.

Esteja sempre aprendendo

Por nós e por você.


Você não será ouvinte

Diante da discussão,

Não será cogumelo

De sombras e bastidores,

Não será apenas cenário

Para nossa ação

Bertold Brecht


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Herança ( Cecília Meireles)

Eu vim de infinitos caminhos,
e os meus sonhos choveram lúcido pranto pelo chão.



Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos,

essa vida, que era tão viva tão fecunda,
porque vinha de um coração?



E os que vieram depois, pelos caminhos infinitos,

do pranto que caiu dos meus olhos passados,
que experiência, ou consolo, ou prêmio alcançarão?




Texto de Cecília Meireles


terça-feira, 18 de agosto de 2009

Achar ou viver


Aquele amor que você achava que existia, acabou.

A comida que você achava mais gostosa, te fez mal.
O automóvel que pensava perfeito, te deixou a pé.
O filme não foi bom.
A cerveja estava quente.
Mas aquela chuva com cheiro de terra molhada compensou tudo.

Penso que "achamos" muita coisa; é uma pena, vivemos mais em volta do que achamos do que aquilo que realmente vale a pena

sábado, 15 de agosto de 2009

Como você exatamente ajuda as pessoas?




Ao encontrar um mestre Zen em um evento social, um filósofo decidiu colocar-lhe uma questão.


"Como você exatamente ajuda as pessoas?"


"Eu as alcanço naquele momento mais difícil, quando elas não têm mais nenhuma pergunta para fazer"



Texto retirado do livro Pocket Zen de Bruno Pacheco

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Mergulhar nas estrelas



Mergulhar nas estrelas, você já pensou em dar um mergulho em alguma estrela? Pode parecer estranho loucura, engraçado. Pensar então em mergulhar fundo no Sol? Ou fazer parte dele?

Não, não pare de ler, será pelo menos engraçado ou diferente pensar desta maneira.

Afinal nós queremos um lugar onde viver em paz, sem dúvidas; já imaginou uma estrela?

A certeza das estrelas nos iluminando e ao mesmo tempo nós iluminando com nossas almas, a cada amanhecer é no mínimo poético.

E digo estrelas, mas pensem no universo como um todo.

Quando você senta com a certeza que a luz de sua alma é todo o universo. Mais do que isto o teu corpo é parte de todo universo, cada grão de areia, cada estrela azul, cada por do Sol, cada anoitecer, cada raio de luz, faz parte de você. Desde as grandes geleiras até mesmo imensos desertos. E não é difícil imaginar que por muitas vezes passamos por estes estágios dentro de nossas mentes. Não estamos fora estamos dentro; somos o todo, somos tudo.

Tenha certeza que quando digo céu, é um céu todo azul, estrelas reluzentes de tamanhos e cores inusitadas.

Na verdade, não estou só falando de mente estou falando de corpo físico.

Todos os estudos científicos mostram que a matéria que observamos por todo universo é composta de: Oxigênio, Nitrogênio, Carbono, Ferro, o corpo dos seres neste planeta também, por incrível que pareça as variações entre estes elementos são os causadores da vida, ou de uma pedra.

Por isto uma estrela e você tem os mesmos compostos básicos, ou seja não estamos tão distantes assim do cosmos como um todo. Quando olhamos para uma estrela olhamos para nós, e quando olhamos para dentro de nós, olhamos para as estrelas.

Quando nos dispomos em sentar em meditação, Sentar-se em Zen (Zazen), podemos mergulhar profundamente em nós tentando nos reconhecer, sem medo ou culpas; na verdade, quando fazemos isto estamos mergulhando nas profundezas de todas as estrelas, e em todo universo, em todos os seres.

No dia em que Sidharta se iluminou disse:

“EU E TODOS OS SERES DA GRANDE TERRA SIMULTANEAMENTE NOS TORNAMOS O CAMINHO”.

Imagem do site da NASA


terça-feira, 11 de agosto de 2009

Hoje

Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.

Dalai Lama

domingo, 9 de agosto de 2009

Nunca nascemos?

Você nunca nasceu e nunca vai morrer. Você não tem idade, somente o corpo tem idade. A alma sabe por si própria que é ilimitada e imortal…
A morte significa mudança de forma, só isso. É inevitável e está acontecendo a cada minuto. Você não é a mesma pessoa que você era a um minuto atrás. Uma parte de você já está morta e uma parte está nascendo… Quando a árvore morre, você obtém tábuas; quando as tábuas morrem, você consegue uma cadeira; quando a cadeira morre, você tem lenha; quando a lenha morre, você tem cinzas… Não há morte alguma!


                Texto de     SATCHIDANANDA

sábado, 8 de agosto de 2009

A clara luz da morte



Compreendam que o corpo é impermanente como um vaso de argila.
Saibam que os fenômenos não possuem uma existência inerente, são como miragens.
Depois de destruir as armas venenosas do apego, que são atraentes como flores,
Vocês até mesmo passarão além das visões da morte.


Buda




Texto retirado do livro: Conselhos Sobre a Morte de: Sua Santidade Dalai Lama

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Não nascer

Uma aluna minha me enviou este belo texto, que compartilho agora com vocês.

" Peço o privilégio de não nascer...não nascer até que você possa me garantir um lar e um mestre para me proteger, assim como o direito de viver enquanto meu corpo estiver saudável e eu puder gozar a vida...não nascer até que meu corpo seja algo precioso e o ser humano tenha parado de explorá-lo apenas por ser barato e estar disponível em grande quantidade".

Autor desconhecido

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Goshu


Goshu Procurou seu mestre. "Tenho estudado o Zen por muitos anos, mas não compreendo. Tenha a bondade de dar-me a luz" "Não há nenhum truque para estudar o Zen. Basta simplesmente se libertar do nascimento e da morte" , disse o mestre. "Mas como?" , perguntou Goshu. " O pensamento que atravessa sua mente, neste exato momento, é nascimento e morte" Ao ouvir estas palavras Goshu se iluminou. Texto retirado do livro: Pocket Zen do autor: Bruno Pacheco

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Estudar e Ser o Objeto


Sem dúvida alguma é mais do que importante conhecer um objeto de estudo. Mas pelo meu ponto de vista, os sentimentos pelo objeto estudado é imprescindível. Para que isto aconteça faz-se necessário comparar várias fontes históricas, religiosas, econômicas e sociais. Desta forma o aluno, discípulo, aprendiz terá mais alternativas para fazer sua própria síntese, sua própria escolha a respeito de um determinado assunto e não ficar limitado pelas colocações do mestre, professor ou um único autor ou única visão política, econômica, religiosa ou social; o aluno poderá se apropriar de vários conceitos para formar o seu próprio, independentemente, sem “intermediários”.

Não estou querendo dizer com isto que a mediação não é importante, está é a função do professor. Além, é claro, de desenvolver a capacidade leitora da vida e a capacidade de escrita, reescrita, pois terá de viver o que apreendeu. Recriar-se e ao mesmo tempo ser o mesmo; dividir-se e ser um, (belo desafio).

Outro ponto importante é que com o estudo de várias fontes o aluno perceberá que a história humana é vista e compartilhada por intermináveis visões, o que pode ser heroísmo para alguns; para outros não passará de simples assassinatos.

O ponto de vista histórico, humano, religioso, dependerá basicamente de que lado está sendo observado, em que determinado ângulo, ou qual recorte se fará, até mesmo que estudo de caso irá prevalecer? (Simples escolhas)

Enfim, já que estamos falando de pontos de vista; meu ponto de vista em relação à ensinar algo é não criar dogmas. Tentar focar, ou melhor desfocar, ampliar a análise e ligações de vários pontos de vista e as várias alternativas para resolução de problemas. Sem, na verdade, estabelecer culpa ou culpados dos objetos estudados.

Pois quanto maior for a capacidade de resolver problemas hipotéticos, reais ou religiosos, maior será a capacidade de ser e não ser; de criar e de recriar-se nesta vida.


Paulo Celso



terça-feira, 28 de julho de 2009

Conselhos Sobre a Morte


Para evitar procrastinar no que tange à prática espiritual, tomem cuidado para não se deixarem influenciar pela ilusão da permanência.

Compreendam que por mais maravilhosa que possa ser uma situação, faz parte da natureza dela terminar.

Não pensem que haverá tempo mais tarde.

Enfrentem com franqueza a ideia da sua morte. Estimulem habilmente as outras pessoas a serem francas sobre a morte delas. Não se enganem mutuamente com elogios quando a hora de morte se aproximar. A sinceridade promove a coragem e a a alegria.



Texto do livro Conselhos Sobre a Morte de Sua Santidade Dalai Lama.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Amigo

Um bom amigo, que nos aponta os erros e as imperfeições e reprova o mal, deve ser respeitado como se nos tivesse revelado o segredo de um oculto tesouro.
(Sakyamuni).

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Conselhos sobre a Prática

1. A motivação da prática deve ser o benefício de todos os seres vivos - a vontade de que eles se libertem do sofrimento e alcancem a perfeição. Ajustem sempre sua motivação para querer ajudar o mais possível os outros.
Tentem, pelo menos não fazer mal a eles.
2. Os Budas são mestres do caminho espiritual; não oferecem a realização como presente. Vocês precisam praticar todos os dias a moralidade, a meditação concentrada e a sabedoria.


Texto do livro Conselhos sobre a Morte
de: Sua Santidade Dalai Lama

terça-feira, 14 de julho de 2009

Simplesmente brilhe



Simplesmente brilhe. Quando nos deixamos ser nós mesmos ao vento da vida, nos tornamos brilhantes, nos tornamos luz. Sem máscaras, sem classes sociais, sem títulos, sem julgamentos, apenas nós.

Sua luz faz parte de mim, minha luz faz parte de você, nossa luz faz parte de tudo, e tudo somos nós ao mesmo tempo, não é um mero trocadilho. Não há então minha, sua, nossa; tudo é todos e todos somos tudo.

Os antigos já diziam depois de lançada a pedra não há retorno. Com a luz acontece o mesmo depois de emanada não há como aprisiona-la, esconde-la; iluminará tudo o que encontrar inevitavelmente sem distinções; bons, maus, sólidos, gasosos, outras luzes; enfim tudo. Não escolhe a luz o que vai iluminar, simplesmente brilha, ilumina.

Penso no instante em que um dia quem sabe, como se fosse um sonho doido, todos possamos nos iluminar ao mesmo tempo, criando então um gigantesco sol. Não precisaremos esperar a luz, seremos simplesmente.

Imagem retirada do site da NASA

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Saudades

Quando olho para traz e vejo a quantidade de seres que conheci, me dá saudades, um aperto no coração, apenas por alguns instantes, alguns minutos, e então me vem à cabeça a quantidade de seres que ainda estão por vir, e me sinto feliz.
O amor por cada ser se perpetua no instante que nascem, na hora que partem, pois o encontro ou a despedida estão concluídos, ou não; na verdade isto não é importante. O que importa mesmo é a compaixão que a gente carrega pelos que estão com a gente, pelos que se foram e pelos que ainda passarão.

domingo, 5 de julho de 2009

A vida em suas mãos


Os budas não lavam as más ações com água, Não removem com as mãos o sofrimanto dos seres que transmigram Nem transferem suas realizações para outros. Os seres são libertados através dos ensinamentos da verdade, da natureza das coisas. Vocês são seus próprios protetores; o conforto eo desconforto estão nas suas mãos.


Buda

sábado, 4 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Eu e a carroça

O rei sabendo que um grande mestre Zen estava às portas de seu palácio, foi até ele para solucionar uma velha questão.



" Mestre onde está o Eu?" , perguntou o rei.
O mestre pediu que os guardas trouxessem uma carroça.
" O que é isto?", perguntou o mestre
" uma carroça", respondeu o rei.
O mestre pediu que retirassem os cavalos que puxavam a carroça.
"Os cavalos são a carroça?" perguntou.
"Não", respondeu o rei.
Depois o mestre pediu que as rodas fossem retiradas.
"As rodas são a carroça?"
"Não mestre", disse o rei.
O mestre pediu que retirassem os assentos.
"Os assentos são a carroça?"
"Não, eles não são a carroça" , disse o rei.
Por fim o mestre aponta para o eixo da carroça.
"O eixo é a carroça", perguntou o mestre.
"Não mestre os eixos não são a carroça", respondeu o rei.
Assim como a carroça o Eu não pode ser defino por partes. O EU não se encontra em parte alguma. Ele não existe. E não existindo, ele existe", disse o mestre.

Texto retirado do livro "Pockt Zen" de Bruno Pacheco

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Lagrimas


Neste oceano de apegos e um mundo infinito de lagrimas me pergunto, "quais os motivos de insistir nesta vida?"

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Perfeito?

Alguns de meus alunos vieram me perguntar a respeito do pecado e do inferno, em um mundo aonde a idéia judaica-cristã impera, estas questões tem um peso enorme para a sociedade e suas atitudes são pautadas por estes dois aspectos.
Resolvi falar da minha experiência religiosa em vez das doutrinas alheias, respondendo da seguinte forma:
“Meu altar em casa não é perfeito, minhas orações não são perfeitas, meu zazen não é perfeito, mas minha intenção de fazer o bem deve ser perfeita, ou deveria ser. Não espero recompensas pelas minhas intenções ou decisões, como também não espero ser punido pelas tentativas de uma vida diferente, mas sem dúvida tenho de ter em mente que minhas ações refletem nas pessoas e objetos em minha volta, devo ter plena consciência de que se sujo minha cama dormirei com sujeira e moscas e não terei uma boa noite de sono, meu dia não sera produtivo, as pessoas em minha volta irão sentir meu mau humor. Mas se deixar limpo meu ambiente, dormirei com certeza com menos problemas e minha noite será melhor e poderei me dedicar melhor ao trabalho e as pessoas consequentemente.
Atenção, esta é a palavra. Cada atitude, cada sentimento, cada palavra, tudo deve ser feito com atenção para que o arrependimento não surja.”
Com atenção no dia-a-dia, minhas ações terão sentido e minha religiosidade começará ter sentido também.
Na verdade não busco a perfeição, nunca foi o sentido de minha vida. Busco fazer o menor estrago possível na vida e nas pessoas.
Enfim não sei direito o que é pecado!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Vida

A vida é em geral um acontecimento contínuo de situações emblemáticas, que nos faz pensar diariamente onde ficar, de que "lado", é verdadeiro o que estou vendo? Uma pessoa me disse hoje: "Os respingos da lama são inevitáveis e me sujo e sou contaminado constantemente por estas pessoas". Como um grande sino me bateu a imagem do simbolo do budismo, uma flor de lótus, que mesmo no lodo mantem sua beleza e brilho sem se importar com o local e sem se "contaminar".

domingo, 21 de junho de 2009

Nagarjuna

" Aquela pessoa insultou-me, aquela feriu-me ou subjugou-me, aquela outra roubou minha riqueza".
Tais ressentimentos geram conflitos; aquele que
Abandona os ressentimentos dorme tranquilo.





Este texto é do pensador budista Nagarjuna do livro Carta A Um Amigo

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O vazio e a ciência



Cada vez mais cientistas ficam intrigados com a falta de matéria, e não exatamente com o estudo da matéria em si.
Físicos de todo planeta estão cada dia mais interessados no espaço existente entre os corpos celestes, e a cada estudo ficam perplexos com a quantidades de vazio no universo . O mistério deixa os astrônomos sem ação ou explicação clara deste significado, chamam simplesmente de matéria escura.
Dois mil e quinhentos anos mais ou menos, lá na Índia um rapaz de nome Sidartha Gautama também se interessou pelo assunto, ele simplesmente chamou de vazio.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Poesia de: Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Nagasena e os gregos

Após a invasão da Índia por Alexandre o Grande o contato e o encantamento pelo budismo foi imediato. Ao ponto de alguns reis gregos adotarem o budismo.
Em um dos prováveis e memoráveis encontros com estas duas culturas grandiosas, mas totalmente distintas surgiram verdadeiras teses e momentos de estranheza.

De um lado a filosofia de Egos inflados Grega, do outro o oposto; a total falta de ego budista.
Sinta pelo menos um dos encontros com um rei grego de nome Menandro (Melinda) e do outro lado o Mestre Nagasena.


- Posso lhe fazer uma pergunta? Disse o rei.
- Por favor faça a sua pergunta, disse Nagasena.
- Eu já perguntei.
- E eu já respondi.
- Mas o que você respondeu? Indagou o rei.
- O que você perguntou? Questionou Magasena.
- Ora eu não perguntei nada, disse o rei.
- E eu não respondi nada concluiu o mestre

Dialogo retirado do Livro: Pocket Zen do autor Bruno Pacheco.

domingo, 31 de maio de 2009

Retrato


Eu, Não Tinha este rosto de hoje,

assim calmo, assim triste, assim magro

nem estes olhos tão vazios,

nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração

que nem se mostra.

Eu não dei por conta esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil;

    • Em que espelho ficou perdida

      a minha face?


Cecília Meireles

Texto retirado do livro: Viagem, 1929/1937

Imagem: Francis Bacon, auto-retrato

terça-feira, 26 de maio de 2009

Toda a Ditadura Devora Sonhos


Ao contrário do que a maioria das pessoas imaginam, toda a ditadura é brutal não é por que ela é poderosa, ao contrário, é iminentemente faminta e medrosa . Como todo animal medroso e acuado ataca sem medidas, (afinal os animais só usam os instintos mais elementares).
Procuram atacar e destruir suas vítimas, seus pseudos “inimigos” sem a mínima hesitação, puros caçadores, mais do que isto são devoradores de sonhos. São incapazes de diferenciar homens, mulheres, crianças, idosos; todos são potencialmente inimigos. E quando falo de crianças estou falando a partir do nascimento, ou seja, nasceu, é caça. É claro que a ditadura na Birmânia não poderia ser diferente. Executam ferozmente todo ser que se manifestar pela paz, pela igualdade, pelo direito de simplesmente escolher ser.
Todas as ditaduras pelo meu ponto de vista são iguais, só mudam a posição no mapa.
Qual motivo de ser ditador?
Me parece que para alguns seres, olhar para felicidade dói. Para os ditadores não é fácil olhar, ver pessoas leves e delicadas trabalhando pela liberdade e felicidade de outros seres como é o caso de Aung San Suu Kyi, que atualmente é mais uma delicada flor sendo destroçada por uma ditadura.
É mais fácil eliminar pessoas felizes, solidarias do que buscar a própria felicidade?

terça-feira, 19 de maio de 2009

Os velhos e o tempo

É mais um dia como qualquer outro . O Sol aparece lentamente mas não radiante ou bucólico, apenas como frestas fugitivas no meio do concreto armado, mesmo ao meio dia não se pode perceber a totalidade de seu brilho, - pois a massa densa e cinza da poluição, da sempre a impressão de chuva, acredito até que passamos a pensar da mesma forma de tanto vê-lo.

Junto ao Sol como um trem descarrilhado, desgovernado, traz junto o fétido cheiro da cidade, um turbilhão de sons, como uma sinfonia de Paganini as cores vermelhas dos outdoors e dos jornais não deixam sombra de dúvida do que será mais este agonizante dia.

Como mortificante é a rotina, burocrática, robótica do dia, de todos os dias. Deve ser pior ainda os que não almejam, não desafiam, simplesmente vagam como peixes dentro de um aquário sem perceber a mediocridade de suas infelizes vidas, suas infelizes ilusões, aqueles que as tem.

No meio dos prédios desta megalópole um pequeno aquário em forma de apartamento, ali há mais de cinqüenta anos um casal divide todas as virtudes e os sacrifícios desta luta quase insana pela sobrevivência.

Como todos os dias colocaram a mesa para o café da manhã, passaram pelo estreito corredor embolorado e paredes descascadas. Só percebemos a existência de vida, através de velhas fotos amareladas pelo tempo, apenas sorrisos, paisagens, brindes, como se a vida fosse aqueles segundos diante de uma máquina fotográfica. Quem saberá daqueles rostos? De tanto olharem já não enxergam, física e mentalmente cegos de tanta vida, talvez com medo de encararem velhos fantasmas ou medo de terem um minuto de lucidez e perderem as amarras da velha, mas conhecida rotina.

Mesmo porque só estampamos nas paredes as vitórias, as derrotas encaixotamos nos velhos armários sob montanhas de papeis inúteis, muitas vezes cruéis, olhados pelas frestas do inconsciente onde o medo e a transparência ficam mais evidentes às sombras das rugas e nas trêmulas mãos.

Por aquele banheiro verde escuro com a tampa do vaso quebrada e a pia enferrujada, passaram filhos e netos, Hoje apenas a solidão, e torneira vazando.

Ao meio dia o cheiro de monóxido de carbono se mistura ao bolor e poeira dos tapetes do “aquário”. E gordurosamente o almoço é apreciado.

O barulho os tiros e os corpos pelas ruas aumentam, mas a rotina anestesia todos os sentidos. As sirenes das ambulâncias, resgates, polícias, parecem estar instaladas na sala.

Mas por algum motivo talvez interferência na natureza, configurações planetárias, efeito estufa, el nino. Quem saberá? Um estrondo e um silêncio. Tudo havia se modificado; paredes, cores, intenções, aflições... O olhar deste casal mudou, o mundo parou, tudo , absolutamente tudo ficou dissipado, nada ameaçava aqueles olhares, nada amedrontava mais. Não havia mais o cheiro de mofo, a torneira não pinga mais.

Aqueles fascinantes milésimos de segundos dos olhares do velho casal, transbordaram numa mágica difusão de toda sabedoria universal. Foi apenas 3,658 milésimos, menos que meia piscada de um olho humano, mas foi a eternidade do momento que levou o casal a entender toda a perspectiva de suas vidas nada foi mais belo que aquele momento, nada! Era o vazio, o total.

As mãos dadas, sinal das palavras ausentes, imprimiam como numa foto rejuvenescida o entendimento . Não precisava fala , gestos , apenas olhar eterno, terno, profundo e célere, como uma obra de Giotto. Aquele escasso e miserável tempo foi o suficiente para entenderem qual a finalidade de suas vidas.

Numa manchete pendurada em uma banca de jornal entre as várias estupidez da vida humana aparecia:

Casal de velhos encontrados mortos em prédio abandonado”, de mãos dadas e sorrindo um para o outro.